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23/09/2004 - 21h48
Dalai Lama garante que não deseja a independência do Tibete
por Libni E. Sanjurjo Meléndez
San Juan, 23 set (EFE).- O Dalai Lama se referiu nesta
quinta-feira, em sua primeira visita a Porto Rico, à relação
política da ilha com os EUA, para garantir que não procura a
independência do Tibete, país centro-asiático situado na cordilheira
do Himalaia.
O Prêmio Nobel da Paz de 1989 e líder espiritual do Tibete disse
que a união de Porto Rico com os Estados Unidos mediante o Estado
Livre Associado (ELA) ajudou os porto-riquenhos a conseguir
progresso e bem-estar.
O Dalai Lama Tensing Gyatso ressaltou que o Tibete é um país
"muito atrasado materialmente, e precisa de muita energia para se
modernizar".
"Nesse sentido, penso que se mantivermos uma relação com a China,
sempre e enquanto esse país respeitar nossa individualidade e nossa
cultura, poderemos nos beneficiar, já que também alcançaríamos um
progresso material, que seria muito difícil de conseguir a partir de
outro ponto de vista", apontou.
O Dalai Lama visitou hoje o Capitólio em San Juan, onde declarou
que quer conhecer mais sobre a relação política da ilha com os
Estados Unidos, porque até agora tem uma "boa impressão".
"Na minha opinião, me parece que as pessoas que alcançaram esta
relação política e essa estrutura eram sábias", indicou o Dalai
Lama, mediante um tradutor.
O líder espiritual do budismo tibetano destacou ainda que durante
os últimos dois anos a China e o Tibete começaram a manter
conversações, e atualmente uma delegação do Dalai Lama está em
Pequim, informou.
No entanto, lembrou que a China sempre demonstrou suspeitas
quanto a suas declarações de que não deseja a independência para o
Tibete.
"A China teve muitas dúvidas da sinceridade com a qual eu sempre
propus que de fato não quero a independência, mas a
autodeterminação. Eles nunca acreditaram em mim", disse.
"Por outro lado, agora começamos a conversar. Agora estamos vendo
se é possível conseguir algum tipo de compromisso", acrescentou.
O líder religioso se exilou em 1959, após uma derrotada revolta
popular contra a dominação chinesa, e desde então vive na cidade de
Dharamsala, no norte da Índia.
O monge tibetano defendeu uma organização em favor da humanidade
e da preservação do meio ambiente.
Disse que propõe a criação de uma entidade internacional
diferente da ONU, já que, em última instância, é "uma representação
de nações, e cada nação esta representando a si mesma".
"O que eu estou propondo é uma organização humana que responda
aos homens, independentemente das nacionalidades às quais
pertencem", manifestou.
A visita do líder budista tibetano à Porto Rico faz parte de sua
viagem por países latino-americanos, sendo convidado pela Inkarri,
uma organização multicultural, não-governamental e sem fins
lucrativos estabelecida em Porto Rico.
Quando chegou, disse que sua visita pretende promover os valores
humanos e a harmonia entre as religiões do mundo.
Acrescentou que também tem um compromisso de caráter político,
que é o de preservar a herança cultural e o meio ambiente do Tibete.
Amanhã, o Dalai Lama participará de um ato denominado "Oração
pela paz", no qual espera-se a presença do artista porto-riquenho
Ricky Martin.
A atriz mexicana Angélica Aragón também viajou para Porto Rico
devido à visita do líder budista, que realizará várias atividades
entre hoje e o próximo sábado.

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