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05/01/2005 - 11h44
Médicos denunciam falhas em assistência às vítimas no Sri Lanka

Colombo, 5 jan (EFE).- A comunidade médica do Sri Lanka denunciou erros na gestão da ajuda exterior e fez um apelo para que se melhorem a distribuição de remédios e a assistência médica no país, onde pelo menos 30.223 pessoas morreram nos últimos dez dias.

A Associação de Médicos do governo do Sri Lanka (GMOA), a única entidade governamental e a mais importante do setor, apontou nesta quarta-feira múltiplos erros que impedem a chegada de assistência médica aos desabrigados.

Segundo a organização, pelo menos 80 lotes de medicamentos enviados à ilha por diferentes organismos estão ainda no aeroporto por falta de farmacêuticos que classifiquem os produtos.

A GMOA pediu que se administre melhor a ajuda médica que está chegando ao país através de um coordenador central de recursos médicos no Ministério da Saúde, para evitar que se faça um mau uso dos remédios e garantir que chegam a quem precisa.

"Há muitos incidentes, já que chegam quantidade de medicamentos e de material médico que não corresponde à demanda, mas são enviados unicamente por motivos políticos", afirmou o secretário da associação, Anuruddha Padeniya.

O representante da GMOA disse que o Executivo do Sri Lanka deveria solicitar à comunidade internacional a medicação adequada e a assistência médica necessária em vez de aceitar cegamente qualquer envio de remédios por parte de países estrangeiros.

Segundo Padeniya, as autoridades deveriam iniciar um programa adequado de medicina preventiva para evitar a propagação de epidemias e infecções, que são o maior risco que os desabrigados correm agora.

A GMOA também acredita que as organizações que participam do atendimento médico às vítimas deveriam contratar médicos locais que trabalhassem em parceria com os voluntários estrangeiros, para ampliar a eficiência e evitar problemas de comunicação.

A associação informoou o diretor geral de serviços médicos do país de que, para cobrir as demandas atuais, seria necessário enviar a cada área afetada uma equipe de pelo menos 15 médicos.

Outra reivindicação da GMOA é de que os centros médicos do litoral sejam transferidos a locais além da zona de risco, fixada em 600 metros de distância do mar, para evitar futuros desastres.

A associação médica denunciou que o governo já demora uma semana para atuar em relação à saúde dos órfãos que se refugiaram nos acampamentos instalados pelas autoridades nas áreas atingidas.

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