|
|  |

22/02/2005 - 20h36
Espanhóis provam eficácia de canabinóide para previnir Alzheimer
Madri, 22 fev (EFE).- Um grupo de cientistas espanhóis
demonstrou, a partir de experiências em tecido cerebral humano e em
ratos, que um canabinóide é capaz de prevenir a perda de memória e
reduzir a inflamação cerebral associada ao mal de Alzheimer.
Em declarações à EFE, a diretora da pesquisa, María de Ceballos,
assegurou que trata-se de uma descoberta que "abre uma nova
possibilidade" para tratar dessa doença, que afeta mais de 600.000
pessoas só na Espanha.
Segundo Ceballos, a "eficácia" do canabinóide, similar ao
componente ativo da maconha, foi demonstrada após comprovar-se que
várias ratos que tinham recebido esta substância combinada com a
proteína amilóide (proteína desencadeante do mal) eram capazes de
lembrar um caminho que os próprios cientistas tinham lhes ensinado
dois meses atrás.
O mesmo não ocorreu em outros ratos que receberam apenas a
proteína amilóide, já que, depois dos dois meses de testes, esse
grupo de animais apresentava uma grande inflamação cerebral,
inexistente, no entanto, no grupo de animais tratados com o
canabinóide.
Pesquisadores ensinaram durante cinco dias os dois grupos a
aprender a encontrar uma plataforma escondida em um tanque de água.
O grupo que não recebeu o canabinóide esqueceu o percurso.
A partir daí, Ceballos pensou que esta substância poderia ser
eficaz no tratamento preventivo do mal, após conhecer suas
propriedades antiinflamatórias e neuro-protetoras.
Além disso, os resultados do trabalho, que será publicado amanhã
pela revista The Journal of Neuroscience, serviram para caracterizar
os receptores de cannabinóide CB1 e CB2, a partir do estudo de
tecido cerebral de vítimas do mal de Alzheimer.
Os pesquisadores do CSIC compararam tecido cerebral de pacientes
que morreram de Alzheimer com o de pessoas sadias que tinham morrido
em idade similar.
A comparação permitiu observar que os receptores de canabinóide
estavam associados na doença a marcadores de ativação da micróglia
(célula imune do cérebro), assim como com alguns neurônios que
tinham sobrevivido.
O receptor CB1 está presente em todos os tipos de células do
cérebro e sua ativação provoca os efeitos mentais do canabinóide,
enquanto que o CB2 só está presente na micróglia.
O vínculo descoberto entre os receptores canabinóides e a citada
ativação celular contribui novos dados na hora de aperfeiçoar o
tratamento contra o mal de Alzheimer.
A ativação das células da micróglia ocorre no cérebro dos
pacientes de Alzheimer depois que a célula amilóide se acumula em
depósitos denominados placas.
Este processo gera uma inflamação que resulta na morte de
neurônios, e na conseqüente perda de memória.

|  |
|