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10/03/2005 - 08h27
Filipinas enterram 27 crianças envenenadas no recreio da escola
pela Virgínia Hebrero
Manila, 10 mar (EFE).- O povoado filipino de San José enterrou
nesta quinta-feira as 27 crianças que morreram envenenadas pela
ingestão de um doce de mandioca no recreio do colégio, enquanto são
investigadas as causas da tragédia.
"O povo está em estado de choque, não podemos acreditar no que
aconteceu, a 'cassava' (mandioca) é algo que comemos habitualmente",
disse Nilda Hiyangan, funcionária da prefeitura de Mabini, cidade próxima a San José.
O funeral das crianças, que tinham entre 6 e 13 anos, aconteceu
às 14.00 horas (03.00 de Brasília) no cemitério local.
O diretor do escritório regional de polícia, Eduardo Gador,
explicou que cerca de cem crianças ainda estão internadas em quatro
diferentes hospitais da ilha de Bohol, no centro do arquipélago.
As vítimas desse envenenamento em massa estavam no recreio, na
escola primária de San José, quando compraram o doce de mandioca de
uma vendedora ambulante. Pouco depois, as crianças começaram a
vomitar e reclamar de dores de estômago e enjôos.
As crianças Sherwina Asas e Isidoro Noel Vallente, ambas de 6
anos, morreram em seguida. Outras 25 morreram após serem internadas
no hospital.
Uma equipe de médicos viajou hoje a Bohol para investigar as
causas do envenenamento, enquanto a presidente do país, Gloria
Macapagal Arroyo, que também viajou para San José, declarou estado
de calamidade na cidade de Mabini, o que permitirá que a prefeitura
tenha acesso a fundos de emergência.
As famílias das crianças mortas receberão 5 mil pesos (92
dólares) para custear as despesas do enterro, devido à extrema
pobreza de algumas delas.
Arroyo pediu à polícia para trabalhar junto às autoridades
médicas e lhe entregarem um relatório detalhado sobre as causas da
tragédia.
O ministro da Saúde, Manuel Dayrit, disse que a equipe de
investigação enviada a Mabini, formada por especialistas de seu
departamento e da Universidade das Filipinas, divulgará suas
conclusões iniciais nesta noite.
"Eles determinarão as verdadeiras causas do envenenamento",
assinalou, acrescentando que os especialistas têm duas "hipóteses de
trabalho".
A primeira delas é que as crianças podem ter morrido pela
ingestão do cianureto de potássio contido na mandioca, que em
algumas de suas variedades é letal quando não preparada
convenientemente.
A agrônoma Josephine Garcia explicou que todos os tipos de
"cassava" (mandioca) acumulam dois elementos do cianureto, linamarin
e lotaustralin, e é potencialmente mortal se não for deixada de
molho, após ser descascada, pelo menos 24 horas antes de ser cozida.
A segunda hipótese é que o tubérculo estivesse contaminado com
pesticidas.
O nitrito de sódio e o dissulfato de sódio são os únicos
antídotos conhecidos para o cianureto contido na "cassava".
A vendedora do doce que causou a morte das crianças está
internada em estado grave em um hospital da ilha de Bohol, depois de
também ter ingerido a comida.

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