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02/04/2005 - 18h40
Wojtyla, o desconhecido que muitos acharam que era africano

Por Juan Lara Cidade do Vaticano, 1 abr (EFE).- Na tarde de 16 de outubro de 1978, uma segunda-feira, saiu da chaminé instalada na Capela Sistina a fumaça branca que anunciava ao mundo que havia um novo papa, e o cardeal Pericles Felici comunicou que o novo pontífice era o cardeal Wojtyla.

"Habemus Papam", disse Felici. Depois de pronunciar o sobrenome Wojtyla, a maior parte dos católicos do mundo ficaram desconcertados. Alguns se perguntaram quem era Wojtyla e chegaram a afirmar que se tratava de um cardeal africano.

Quase ninguém tinha ouvido falar dele, entre outras coisas, porque vinha de um país comunista, "distante" - como ele disse em sua apresentação ao povo católico -, fechado para o mundo ocidental.

O "estranho", poucos minutos após ter aparecido no balcão central da Basílica do Vaticano, já tinha conquistado os romanos, habituados a papas italianos durante séculos e séculos.

Karol Wojtyla, de 58 anos, que decidiu usar o nome de João Paulo II em homenagem ao antecessor, João Paulo I, foi o primeiro Pontífice não italiano desde o holandês Adriano VI (1552).

Embora o conclave seja secreto, um cardeal contou depois que Karol Wojtyla foi eleito com 99 votos na oitava apuração.

Também segundo esse purpurado, já falecido, o cardeal da Cracóvia obtivera 11 votos de manhã, na sexta apuração; 47 votos na sétima e 99 na oitava.

O conclave para eleger o sucessor de João Paulo I, que morreu 33 dias após ter sido nomeado, começou em 14 de outubro de 1978.

Segundo alguns cardeais, os purpurados mais votados nas primeiras votações eram os italianos Giuseppe Siri e Giovanni Benelli.

Os membros da Cúria apoiavam o cardeal Siri, candidato a papa em conclaves anteriores, e Benelli era apoiado pelos latino-americanos e paquistaneses.

Chegou-se a uma situação na qual era impossível escolher o papa entre um deles, por isso, os purpurados voltaram suas atenções para um não italiano que representasse uma mudança na Igreja.

Todas as atenções se voltaram para Wojtyla, que quase não pode entrar no conclave.

Isso porque, segundo se soube depois, Karol Wojtyla havia decidido, na manhã da quarta-feira anterior, visitar o santuário da Mentorella, a cerca de 50 quilômetros de Roma, e quando voltava para o Vaticano, no começo da tarde, para entrar no conclave, o automóvel no qual viajava quebrou.

O motor parou e Wojtyla, nervoso e com medo de não chegar a tempo, não sabia o que fazer. Decidiu ir para uma estrada próxima e pedir carona.

Um ônibus de linha parou e o levou até a localidade de Palestrina, onde pegou outro automóvel e chegou ao Vaticano a tempo de entrar na Capela Sistina.

Alguns dizem que Wojtyla chegou pontualmente, outros garantem que houve um "pequeno atraso".

O medo de decepcionar os romanos por não falar bem italiano desapareceu imediatamente, já que foi bem recebido desde o começo.

Passaram quase 27 anos daquele dia de 1978 quando o papa disse: "Se mi sbaglio, mi corrigerete" ("Corrijam-me se eu errar"). A resposta foi "Te amamos". O tempo demonstrou isso.

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