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02/04/2005 - 18h59
Moral sexual, uma das prioridades do Pontificado
Por Juan Lara
Cidade do Vaticano, 2 abr (EFE).- A moral, concretamente a
familiar e sexual, foi o argumento central das principais polêmicas
dentro e fora da Igreja católica durante o pontificado de João Paulo
II.
Karol Wojtyla não foi o primeiro a tratar em seus discursos e
escritos dos temas mais polêmicos da moral católica, já que neste
sentido destaca o impacto que teve na década de 60 a encíclica
"Humanae vitae" de Paulo VI, que teve grande repercussão na opinião
pública, sobretudo por sua condenação do uso da pílula
anticoncepcional.
Mas com João Paulo II se uniram no campo da moral, assim como em
outros, dois aspectos inéditos de pontificado.
Por um lado, seu modo original de se comunicar com as pessoas,
através de suas viagens e o uso constante dos meios de comunicação,
em particular a televisão, que deram grande difusão a suas idéias e
fizeram dele um grande sedutor de massas.
Sua figura se tornou mais familiar que a de qualquer outro Bispo
de Roma, inclusive entre os não católicos e não crentes, e levou ao
mundo sua mensagem, mas esta não teve o eco que o Pontífice
desejava.
Ressalta sua insistência em questões como o aborto e a eutanásia,
sempre presente em suas viagens apostólicas, em suas encíclicas e
nas numerosas alocuções aos fiéis, assim como nas pautas que marcou
às Igrejas locais.
Em 25 anos de papado, João Paulo II fez da vida e da defesa da
vida o direito humano essencial, acima de outros, até o ponto de
dedicar-lhe uma encíclica: a "Evangelium vitae" ("O Evangelho da
vida", 1995) que junto à "Veritatis splendor" ("O esplendor da
verdade", 1993) condensa seus princípios no campo da moral.
Para João Paulo II é inconcebível um mundo no qual o homem dê as
costas a Deus, ao espírito e a seus mandamentos, já que se o faz,
acaba se traindo e aniquilando como ser humano.
A sociedade atual, por sua parte, está muito marcada pelo
individualismo e a sede de liberdade herdados do Iluminismo, que
embora aceite a hipótese de Deus, só o faz na esfera da consciência
individual.
Assim, as normas éticas derivadas do dogma cristão carecem de
projeção na prática, e a razão e a vontade autônomas são o eixo das
decisões da sociedade.
No mundo católico acharam eco questões como o aborto e a
eutanásia, mas não os métodos anticoncepcionais e o divórcio, entre
outros assuntos relacionados com a moral familiar.
Uma comissão eclesiástica escolhida por Paulo VI para tratar do
controle da natalidade se mostrou propícia à utilização, em algumas
circunstâncias, de algum método anticoncepcional, mas no final se
impôs a doutrina tradicional que só admite os meios naturais.
Em um consistório de cardeais realizado em 1991, o Papa conseguiu
a unanimidade na condenação do aborto e dos métodos
anticoncepcionais abortivos.
O Papa, durante seu pontificado denunciou a manipulação genética,
que tornou possível a fecundação "in vitro", as mães "avós" ou "de
aluguel" e os filhos de casais homossexuais.
Neste sentido, o magistério de João Paulo II foi à frente das
tímidas tentativas dos governos de colocar um pouco de ordem no caos
que esta revolução provocou na sociedade ao questionar o modelo
tradicional de família - não só cristã - e a própria identidade do
homem.
Ele se mostrou contrário aos casais de fato e de homossexuais e
que possam ser equiparados ao casamento tradicional, formado entre
um homem e uma mulher, que dão vida à família, à qual sempre chamou
"célula básica da sociedade".
Outro tema que centrou a atenção da Santa Sé e que teve um eco
positivo na opinião pública foi o da pena de morte, praticamente
desqualificada na "Evangelium Vitae" e que levou à reforma do
Catecismo Universal.
Nos últimos anos lutou, sem resultados, para que a Constituição
Europa incluísse referências às raízes cristãs do velho continente,
afirmando que sem o Cristianismo não se entende a Europa.

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