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08/04/2005 - 09h18
Líderes políticos e religiosos homenageiam papa com sua presença
Por Jesús García Becerril
Cidade do Vaticano, 8 abr (EFE).- Líderes políticos e religiosos
de todo o mundo acompanharam João Paulo II em sua última viagem com
uma presença em massa no funeral solene realizado nesta sexta-feira
na Praça de São Pedro.
Durante os quase 26 anos de Pontificado, Karol Wojtyla
relacionou-se com grandes multidões e com dirigentes mundiais, que
hoje responderam com sua presença respeitosa na São Pedro e em
várias outras praças de Roma.
Como monarca absoluto de um pequeno Estado, mas sobretudo como
líder espiritual de mais de um bilhão de católicos no mundo todo, o
papa é um personagem influente que é ouvido com atenção em todos os
âmbitos e pelos governantes.
Muitos deles foram hoje ao Vaticano para fazer notória a
liderança que Karol Wojtyla teve em vida, embora pertençam a outras
crenças religiosas ou em anos anteriores tenham tido discrepâncias
com as posições da Igreja Católica.
No lado direito da praça visto desde a Basílica, olhando para o
caixão, as personalidades acompanharam a cerimônia celebrada por
Josef Ratzinger como decano do colégio cardinalício.
Na primeira fila havia representantes de Casas Reais, como os
reis da Espanha Juan Carlos e Sofia, acompanhados pelos reis dos
belgas, Alberto e Paula e os da Jordânia, Abdullah II e Rania.
O príncipe Charles, que decidiu adiar para amanhã sábado seu
casamento com Camilla Parker-Bowles (ausente) para que não
coincidisse com o acontecimento de hoje, também esteve presente.
Na segunda fila (as duas primeiras eram as únicas com
genuflexório) estavam os presidentes dos Estados Unidos, George W.
Bush; França, Jacques Chirac; e Alemanha, Horst Köhler, na frente de
primeiros-ministros como o espanhol José Luis Rodríguez Zapatero;
Reino Unido, Tony Blair; Luxemburgo, Jean Claude Juncker e Alemanha,
Gerhard Schröder.
Os lugares dos governantes são organizados de acordo com a
primeira letra do nome do país em francês. Assim, governantes
latino-americanos estavam próximos, como os presidentes da Bolívia,
Carlos Mesa; Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva; Costa Rica, Abel
Pacheco; Guatemala, Oscar Berger e Honduras, Ricardo Maduro.
Também estavam presentes os chefes de Estado do México, Vicente
Fox, e da Nicarágua, Enrique Bolaños e os vice-presidentes da
Colômbia, Francisco Santos, e Paraguai, Luis Castiglione, assim como
ministros de Assuntos Exteriores e representantes de outros Estados
latino-americanos.
Todos eles tinham sido recebidos à entrada da Praça de São Pedro
pelo arcebispo James Harvey, perfeito da Casa Pontifícia, antes de
sentar, e o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, teve a
honra de ser o último a entrar no recinto.
A morte de João Paulo II teve o comparecimento na mesma cerimônia
de inimigos publicamente declarados, como Bush e o presidente do
Irã, Mohammad Khatami, que beijou afetuosamente o sírio Bachar al
Assad, ao chegar.
Não faltou o presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, que a UE
proibiu de entrar nos países-membros, mas que se beneficiou do
convite formal da Santa Sé e pôde desembarcar em Roma graças à
aplicação do Pacto Lateranense entre o Vaticano e o Estado italiano.
Também compareceu o presidente de Taiwan, Chen Shui-bian, o que custou ao Vaticano a ausência de um representante oficial da China,
inconformada com o convite feito ao governante da ilha vizinha.
A Rússia foi representada pelo primeiro-ministro Mikhail Fradkov,
mas não o presidente Vladimir Putin, talvez para não incomodar o
Patriarcado Ortodoxo de Moscou, cujo titular, Alexei II, nunca teve
boas relações com João Paulo II e se negou sempre a permitir uma
visita do Pontície ao país.
Também não houve representação de alto escalão do Principado de
Mônaco, que nestes dias vive seu próprio drama depois da morte,
anteontem, do príncipe Rainier.
O ecumenismo religioso que Wojtyla defendeu em vida também se
voltou em seu favor na hora da morte e, a não ser por alguns líderes
religiosos como o próprio Alexei II, estiveram em São Pedro
patriarcas de Igrejas Ortodoxas, como Bartolomeu I de
Constantinopla, Christodoulos da Grécia ou Anastas da Albânia.
O arcebispo de Canterbury e primaz da Igreja anglicana, Rowan
Williams, compartilhou o banco com representantes de religiões
muçulmanas, budistas, sijs, hindus e hebraicas e com dirigentes
luteranos, metodistas, coptos, batistas e menonitas, entre outros,
na maior concentração de líderes políticos e religiosos da História.UOL Busca - Veja o que já foi publicado com a(s) palavra(s)

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