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19/05/2005 - 10h35
Censura tailandesa de olho nas candidatas a Miss Universo
Por Miguel F. Rovira
Bangcoc, 19 mai (EFE).- A censura tailandesa está dando atenção
especial nos últimos dias às aparições públicas das 82 mulheres que
disputam o concurso "Miss Universo", entre elas a catarinense Carina
Beduschi, "Miss Brasil 2005".
"Centro de Vigilância", indica o letreiro colocado na porta de
entrada de um amplo escritório no último andar de um edifício anexo
ao Ministério de Cultura da Tailândia.
Nessa cobertura, seis mulheres com cara de poucos amigos e
cercadas por 55 televisores observam a programação dos cinco canais
estatais de televisão, da única emissora de TV privada do país e dos
quase quarenta canais a cabo oferecidos ao público.
"Esse sim é perigoso e provocativo. Algumas das modelos aparecem
seminuas, que transtorno isso me causa", disse a diretora do centro,
Ladda Thangsupachai, apontando com seu dedo inquisidor o televisor
que transmite o canal pago Fashion Show, dedicado integralmente aos
desfiles de moda feminina e masculina.
Thangsupachai, de 51 anos, disse estar convencida de que o centro
- patrocinado pelo atual governo e no qual trabalham cerca de trinta
funcionários - serve para proteger a cultura tailandesa e dirigir o
comportamento dos cidadãos.
"Nossa população não está culturalmente imunizada e, por isso,
nos tempos que vivemos precisamos imunizá-la das tendências
culturais nocivas que causam males sociais", disse a chefe do centro
e ex-atriz do tradicional teatro tailandês.
O centro - que envia ao departamento de censura as imagens que
considera "obscenas", para que tome as medidas que considere
oportunas - recebe 24 horas por dia os resultados de investigações
feitas por centenas de voluntários, além das denúncias do público.
Em janeiro, o departamento de censura ordenou a retirada das ruas
de Bangcoc de todos os anúncios de uma marca de roupa íntima que
mostravam uma mulher, pois considerou a campanha "obscena".
Pouco antes, o órgão multou, por "indecência", modelos
profissionais que participaram da filmagem de um anúncio de sabão,
no qual apareciam vestindo camisetas e calças curtas, deixando parte
do corpo à mostra.
Mas esses dois incidentes não foram nada se comparados com o
"escândalo" no ano passado, depois que algumas das modelos mais
famosas do país foram denunciadas por "indecência" por usar blusas
transparentes que mostravam os mamilos, em um desfile organizado
pela revista Elle.
O "escândalo dos mamilos", como o fato foi chamado pelos jornais,
levou à criação de uma comissão especial encarregada de estabelecer
os "requisitos de decência" para as peças de roupa usadas pelas
modelos.
Na mira do centro também estão os jornais, as revistas e outros
veículos de imprensa, que nos últimos dias estão publicando
comportadas fotografias das 82 beldades que disputam o título de
"Miss Universo" e visitam alguns dos lugares mais famosos de
Bangcoc.
Pouco antes de chegar à Tailândia, na semana passada, as
participantes foram instruídas pela organização proprietária da
franquia "Miss Universo" sobre que roupa usar em suas saídas do
hotel e qual deixar na mala para outra ocasião.
"Nada de decotes muito provocativos, nem minissaias. Na Tailândia
é mal visto vestir esse tipo de roupa", informou a organização do
concurso às participantes, quase todas elas com aproximadamente
vinte anos.
Mesmo assim, o governo tailandês ordenou ontem que a organização
"Miss Universo" excluísse do vídeo oficial do concurso as cenas das
participantes usando biquínis, tendo como pano de fundo templos
budistas.
A ordem foi dada pelo Ministério de Cultura, que considerou que
as imagens - que seriam transmitidas pela televisão em todo o mundo
na eleição da próxima "Miss Universo", no dia 31 de maio - "difamam
a reputação do país anfitrião".
O ministro de Turismo, Somsak Thipsuthin, disse que também exigiu
à organização que retire de seu site as fotografias das candidatas
posando em traje de banho e de biquíni, enquanto faziam um cruzeiro
pelo rio Chao Praya.

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