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04/07/2005 - 16h14
Corrupção deixa direção do PT na corda bamba

Por Eduardo Davis Brasília, 4 jul (EFE).- A direção do PT ficou na corda bamba devido a novas denúncias de corrupção.

O presidente do partido, José Genoino; o secretário-geral, Silvio Pereira; o tesoureiro, Delúbio Soares, e até o ex-ministro José Dirceu parecem ter as horas contadas por causa de um escândalo que ninguém é capaz de imaginar onde acaba.

Todos aparecem cada vez mais envolvidos em uma rede de subornos a parlamentares que, segundo o deputado trabalhista Roberto Jefferson, o PT manteve durante os dois primeiros anos de gestão de Lula, a fim de garantir ao Governo a maioria parlamentar que não obteve nas urnas.

Segundo as últimas denúncias, os dirigentes citados têm uma estreita relação com Marco Valério Fernandes, dono de duas agências de publicidade vinculadas ao PT, acusado de ter montado a trama necessária para financiar os subornos através de contratos obtidos com empresas do Estado.

A revelação que Valério assegurou um crédito bancário por um valor equivalente a um milhão de dólares a favor do PT acabou de enredar o assunto e provocou contraditórias declarações de Genoino e Delúbio, que foram consideradas "inaceitáveis" até por líderes do partido.

O PT convocou para amanhã uma reunião extraordinária de sua direção, que deverá decidir se Genoino, Delúbio, Sílvio e Dirceu são suspensos temporariamente, até que se esclareça sua situação.

O deputado José Eduardo Cardozo, uma representativa voz do PT na Câmara dos Deputados, pediu hoje que os quatro se afastem de seus cargos e disse que "é necessário investigar e esclarecer se alguém do partido está envolvido, e se é assim é preciso ser implacáveis".

No mesmo sentido se pronunciou o senador Cristóvam Buarque, outro importante líder do partido no Governo, que considerou que as evidências contra Genoino, Delúbio, Sílvio e Dirceu "começam a ser alarmantes".

O vice-presidente nacional do PT Romenio Pereira seguiu a mesma linha, afirmando que "um partido que fez da luta contra a corrupção sua bandeira, não pode defender suspeitos".

O deputado Chico Alencar foi além e considerou que "o ideal é que toda a direção nacional renuncie" e sejam antecipadas as eleições internas previstas para setembro, nas quais Genoino pretende se reeleger presidente do PT.

Para complicar mais as coisas, uma ex-secretária de Valério disse que seu antigo chefe também tinha estreitos vínculos com José Borba, líder da bancada do PMDB na Câmara, partido que Lula se esforça para manter na coalizão de governo.

Valério e Borba se falavam "pelo menos uma vez por semana" e várias vezes se reuniram em Brasília, disse Fernanda Karina Somaggio, que acrescentou que o publicitário foi pelo menos a um desses encontros "com uma mala cheia de dinheiro".

O presidente do PMDB, Michel Temer, afirmou hoje que seu partido decidirá se Borba deve ser suspenso até que se esclareça o caso.

O incessante desmoronamento de denúncias deu mais asas à oposição, que já envolve diretamente Lula em todos os assuntos.

"É imprevisível o desenlace desta crise, mas certamente o Governo, o PT e o presidente Lula estão com a imagem e a ética muito comprometidas", declarou hoje o deputado ACM Neto, do PFL.

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