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02/09/2005 - 18h39
Familiares se desesperam na busca por sobreviventes do Katrina

Por Olivia Tallet Houston (EUA), 2 set (EFE).- Enquanto milhares de pessoas encontraram refúgio no estádio Astrodome, em Houston, centenas de famílias tentam confirmar, de forma desesperada, se seus entes queridos conseguiram escapar da tragédia de Nova Orleans.

Os refugiados estão a salvo no Astrodome: têm comida, podem tomar banho e contam, inclusive, com ar condicionado no estádio. Mas não podem se comunicar com o exterior, e seus familiares tampouco conseguem averiguar se os mesmos deixaram Nova Orleans.

Uma família nicaragüense é uma das que hoje circulam nervosamente pelos arredores do Astrodome em busca de informações. "Falei por telefone com meu irmão Gustavo Hurtado justamente quando estava começando o furacão", disse à EFE Lucía Palza, moradora de Houston.

Hurtado, como muitos outros, pensou que o Katrina seria um furacão comum. "Pedi que deixasse Nova Orleans, mas ele me disse que já era impossível, porque o vento estava muito forte. Essa foi a última vez que falei com ele", afirma Lucía.

Mayelith Hurtado, cunhada do desaparecido, foi precavida e abandonou Nova Orleans antes da chegada do Katrina, levando junto seu esposo deficiente físico e sua filha.

"Nós viemos. Alguém sempre pensa que as coisas não podem ser tão terríveis. Também não nos preparamos bem para vir, pois pensamos que o transtorno duraria alguns dias", disse Mayelith.

"Deveria ter me preparado melhor, levado mais coisas. Nunca pensamos que a catástrofe pudesse ser tão grande. Agora não podemos retornar, não há nada, o que não foi arruinado pela água foi destruído pela anarquia total de Nova Orleans".

A família soube na segunda-feira que no condomínio onde viviam a água havia subido um metro, mas isso foi antes da ruptura das barreiras de contenção das águas na cidade.

"Trouxe poucas coisas, as fotos do meu casamento e um álbum da menina, mas as fotos que ficaram não poderão ser substituídas. Mas o que nos dá mais tristeza é que não encontramos o Gustavo", comenta Mayelith, dando início ao choro.

"Não sabemos onde está, o que aconteceu com ele. É uma angústia tremenda. Não sabemos por onde começar a procurá-lo, e toda nossa família está distribuída por lugares diferentes".

Mayelith era a única base de seu núcleo familiar, desde que seu esposo Carlos Eduardo Hurtado sofreu um acidente de trabalho, há cinco anos. Agora, ao menos caminha, mas tem um quarto da coluna vertebral de titânio e reclama de dores "insuportáveis".

Quando pensa no futuro, Mayelith apenas encontra o silêncio em sua mente. "Espero que Deus nos ajude a viver um dia após o outro".

O Astrodome abriga cerca de 11 mil pessoas, a maioria delas provenientes de outro estádio, o Superdome, de Nova Orleans.

Quarta-feira, centenas de refugiados começaram a chegar em Houston, muitos com destino ao Astrodome. O local não reúne apenas refugiados do Superdome, e sim pessoas que buscaram ajuda após a passagem do Katrina.

Efetivos policiais tentam garantir a segurança dentro e fora do estádio, onde foram registrados incidentes menores como algumas prisões e apreensão de armas.

Autoridades municipais disseram que o poliesportivo está no limite de capacidade, e que o restante dos refugiados será encaminhado a outros albergues, como o Reliant Center.

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