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07/12/2005 - 13h52
Falta de dinheiro deixa ONU impotente perante crises humanitárias
Por Isabel Saco
Genebra, 7 dez (EFE).- A magnitude das catástrofes naturais e das
crise humanitárias evidenciaram como nunca em 2005 até que ponto a
falta de financiamento para algumas emergências pode deixar a ONU de
mãos amarradas em sua missão de ajudar as vítimas.
No final de 2004, as Nações Unidas calcularam que precisariam de
US$ 1,7 bilhão para socorrer 26 milhões de pessoas vítimas da fome,
de conflitos e de desastres naturais este ano, mas suas previsões
mais pessimistas foram superadas pela realidade.
O tsunami no sudeste asiático, a série de furacões e o terremoto
que devastou o norte do Paquistão em outubro, além de uma série de
novas crises humanitárias, obrigaram a ONU a fazer ao longo do ano
até 30 pedidos de emergência para arrecadar recursos adicionais.
Assim, a ONU passou de pedir US$ 1,7 bilhão a precisar de US$ 5,7
bilhões, uma importância que reflete o volume das necessidades
financeiras com as quais a organização multilateral termina o ano.
No entanto, entre o necessário e o que os países e entidades
doadoras realmente desembolsaram existe uma distância que tende a
aumentar cada vez mais.
No final de novembro, a ONU havia coberto apenas 57% de suas
necessidades financeiras, contra 64% de 2004, disse à EFE a
porta-voz do Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários
(OCHA), Elizabeth Byrs.
Isso apesar de as catástrofes naturais terem castigado os mais
pobres, com 95% das vítimas nos países em desenvolvimento.
A ONU contabilizou 69 desastres naturais até agora em 2005, dos
quais 31 ocorreram na região da Ásia-Pacífico, 12 na África e no
Oriente Médio, 9 na Europa e 17 na América Latina e no Caribe.
Em termos financeiros, o ano começou com uma corrente de
solidariedade sem precedentes para ajudar os sobreviventes do
tsunami, mas está acabando com um balanço que reflete certa
indiferença para com determinadas emergências, conhecidas no jargão
das organizações internacionais como "crise esquecidas".
Entre elas estão a da República Centro-Africana, país que para o
qual a ONU pediu U$ 27 milhões, embora só tenha recebido US$ 9
milhões; do Djibuti, que para o qual recebeu US$ 2 milhões dos US$ 7
milhões solicitados, e da Costa do Marfim, para o qual obteve US$ 14
milhões dos US$ 36 milhões necessários.
O último grande pedido de dinheiro foi em favor do Paquistão,
onde as vítimas do terremoto totalizam cerca de 3,5 milhões de
pessoas.
Mas a gravidade da situação no país asiático não foi suficiente
para atrair o interesse dos doadores, que só contribuíram com US$
151 milhões dos US$ 550 milhões solicitados (27%).
Embora a escassez de recursos seja evidente, as necessidades
humanitárias aumentam, o que se reflete na demanda global de
recursos da ONU para 2006, que chega a US$ 4,7 bilhões.
A questão que ronda o sistema humanitário é que, se 2006 começa
com uma previsão tão alta, será difícil prever como terminará,
sobretudo se houver novas catástrofes naturais.
Diante da delicada situação, o secretário-geral da organização,
Kofi Annan, pediu que novos países se somem à lista de principais
doadores, que há anos é integrada praticamente pelos mesmos: Estados
Unidos, Japão, União Européia, Austrália e, ultimamente, Arábia
Saudita, Rússia e Emirados Árabes Unidos.
A ONU gostaria de ver países em desenvolvimento emergentes, como
Brasil, China, Índia, Chile e México, se unirem a esse grupo.
Mas talvez isso nem fosse necessário para resolver os casos mais
urgentes.
O subsecretário da ONU para Assuntos Humanitários, Jan Egeland,
disse que se os ricos do mundo "dessem o equivalente a duas xícaras
de café, seriam cobertas as necessidades das 31 milhões de pessoas
que estão em situação desesperadora". UOL Busca - Veja o que já foi publicado com a(s) palavra(s)

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