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09/12/2005 - 13h11
Veneno de serpente pode ter propriedades contra o câncer
Valência (Espanha), 9 dez (EFE).- Uma equipe do Conselho Superior
de Pesquisas Científicas (CSIC, na sigla em espanhol) da região
espanhola de Valência descobriu duas proteínas, obtustatina e
jerdostatina, procedentes do veneno de serpentes que são eficazes
contra o crescimento de células cancerígenas.
Esta descoberta, cuja eficácia foi testada em ratos, abre,
segundo seus autores, "um leque de possibilidades para a produção de
remédios de maior potencial, a partir de moléculas químicas
sintetizadas no laboratório que reproduzam os mecanismos de ação das
proteínas encontradas".
As conclusões do trabalho aparecem na última edição de "The
Journal of Biological Chemistry", segundo informaram fontes do CSIC,
organismo vinculado ao Governo regional de Valência.
A pesquisa foi liderada por uma equipe do Instituto de
Biomedicina de Valência, dirigido por Juan José Calvete, que há mais
de dez anos desenvolvem trabalhos sobre a evolução e as
características funcionais de proteínas procedentes de veneno de
víboras, que bloqueiam de forma seletiva a função de receptores da
superfície celular da família denominada integrinas.
Os pesquisadores, em colaboração com o médico Cezary
Marcinkiewicz, da Temple University (Philadelphia, EUA), descobriram
no veneno da serpente "Vipera lebetina obtusa" a proteína
obtustatina.
O bloqueio deste receptor pode representar uma estratégia eficaz
para cortar as vias de fornecimento de nutrientes às células
cancerígenas, e impedir o crescimento do tumor.

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