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06/01/2006 - 11h27
Doença de Sharon causa alívio e temor entre palestinos no Líbano

Por Kathy Seleme Beirute, 5 jan (EFE).- Um sentimento contraditório de alívio e temor tomou conta dos milhares de refugiados palestinos que vivem no Líbano, desde que foi divulgada a notícia da doença do primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, considerado por eles um "criminoso".

Desde quarta-feira, sorrisos decoram as estreitas e empobrecidas ruas dos 12 acampamentos espalhados pelo país e hinos patrióticos ressoam pelas ruelas.

Mas, nos rostos dos dirigentes palestinos, pode-se ver uma ruga de preocupação porque acreditam que o desaparecimento político ou físico de Sharon não trará mudança em sua sucessão. Poderia inclusive afastar mais suas esperanças de voltar à sua terra algum dia.

"Ariel Sharon é para nós, mas também para o resto do mundo árabe, um criminoso, um sanguinário e um vampiro", declarou à EFE o Sultão Abul Aynan, representante no Líbano do Fatah, principal grupo na Organização para a Libertação da Palestina (OLP).

"Caso morra, nada mudará para os palestinos, inclusive pode ser que cresça o extremismo contra nós. Qualquer um que venha depois dele será igual porque os israelenses não querem a paz", afirmou.

Na opinião de Aynan, nada mudará também nos corações dos palestinos expatriados, decididos a prosseguir com sua luta, "seja através das negociações ou das armas se nos obrigarem a recorrer a isso".

"Não se pode esquecer também que foi Sharon quem anulou os acordos de Oslo de 1993 e o plano de paz (conhecido) como Mapa de Caminho, e que sempre tentou aniquilar as esperanças dos palestinos de retornarem", acrescentou.

"O único desgosto é que não será julgado pelos massacres de Sabra e Chatila (bairros de Beirute)", cometidos durante a invasão israelense do Líbano em 1982, disse.

Por dois dias de setembro daquele ano, a milícia cristã libanesa, aliada de Israel, massacrou centenas de refugiados palestinos diante das impassíveis tropas de ocupação comandadas por Sharon. Em 1985, uma comissão independente de Israel responsabilizou Sharon indiretamente.

Os massacres de Sabra e Chatila são uma lembrança que não se apaga na memória dos palestinos que, desde 1948, vivem refugiados no Líbano, com os direitos extirpados pelo Governo libanês, que se opõe a seu assentamento definitivo.

Para Khaled Aref, líder palestino do acampamento de Ain el Helu, o mais populoso do Líbano, nada pode reabilitar o currículo do general israelense.

"O objetivo de Sharon é conhecido: aniquilar o povo palestino, como mostrou em Sabra, Chatila, Ramalah e Gaza", declarou à EFE. "Se morrer, só haverá mudanças internas em Israel, já que o partido que fundou, o Kadima, seguirá seus passos caso ganhe as eleições", disse.

Aref, como os demais 350 mil refugiados palestinos que vivem amontoados no Líbano, está convencido de que qualquer um que suceder Sharon será igual já que, na opinião dele, "nunca houve um dirigente israelense disposto a fazer a paz com os palestinos".

"Talvez só Yitzhak Rabin, por isso o assassinaram. Em Israel, alguns disparam com luvas de pelica e outros sem elas", afirmou.

"Nada do que fazem é sério e a única alternativa que temos é continuar a luta começada por nossos antepassados e que prosseguirá com nossos descendentes até recuperar nossa pátria", disse.

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