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14/01/2006 - 17h53
Chilenos elegem novo presidente amanhã

Santiago do Chile, 14 jan (EFE).- Os chilenos elegerão neste domingo um novo presidente, entre o candidato de direita Sebastián Piñera e a socialista Michelle Bachelet, favorita nas pesquisas.

Esta será a primeira vez em 16 anos que a eleição de um presidente não esteve caracterizada pela polaridade entre ditadura e democracia, nem pela presença de Augusto Pinochet, totalmente ausente nestas eleições.

Enquanto os chilenos esperam e pensam no desfecho eleitoral deste domingo, do qual pode sair a primeira mulher presidente na história do país, os candidatos reduziram ao mínimo suas atividades.

Bachelet, de 54 anos e candidata da governante Concertação de Partidos pela Democracia, passou o dia sem atividades públicas, com sua família, enquanto sua equipe de campanha preparava os detalhes de última hora. O chefe político do partido, o senador Andrés Zaldívar, reafirmou que ela ganhará as eleições.

Piñera, de 56 anos, do partido direitista Renovação Nacional (RN), disse que espera o resultado da votação "confiante e tranqüilo", após visitar um asilo em Santiago.

Durante o dia, no entanto, a equipe de campanha do porta-bandeira da opositora Aliança pelo Chile e o Executivo criaram polêmica sobre a legitimidade do ato eleitoral e a violação da lei que proíbe a propaganda 72 horas antes da votação.

O diretor político da campanha, Joaquín Lavín, em entrevista coletiva, pediu na sexta-feira aos chilenos que votem em Piñera e divulgou pesquisas, cujo origem não identificou, que prevêem um empate técnico entre os dois candidatos.

O porta-voz de Governo, Osvaldo Puccio, disse hoje aos jornalistas que a equipe se situou "à beira da legalidade" com este ato, que o círculo de Piñera qualificou como um simples "ato informativo".

Puccio também expressou seu mal-estar por declarações de Piñera em que assinalou que o suposto intervencionismo do Governo na campanha eleitoral "retira a legitimidade do processo eleitoral", segundo uma entrevista publicada pelo vespertino La Segunda.

"É muito grave o que disse o candidato da direita, isto de colocar em dúvida a legitimidade do processo", ressaltou o porta-voz, que pediu que Piñera tenha calma e seja prudente.

Puccio acrescentou que as palavras da oposição "deixam transparecer uma direita nervosa e até mesmo irresponsável", e advertiu que, com declarações como estas, "colocam-se em jogo a força e a legitimidade da democracia e o prestígio do país".

O diretor de campanha de Bachelet concordou com Puccio e disse que as declarações do empresário não têm fundamento e acrescentou que esperava que fossem "apenas um deslize".

Piñera respondeu que "infelizmente nas últimas semanas houve uma brutal e desavergonhada intervenção do Estado. Isto não é bom para a democracia e a convivência saudável", mas não quis se referir a suas declarações.

O ministro do Interior chileno, Francisco Vidal, junto ao chefe de Praça da Região Metropolitana, o general Patricio Cartoni, percorreram diferentes locais de votação de Santiago, onde 40% dos chilenos votam.

Vidal, ao avaliar o dia anterior ao segundo turno eleitoral, disse que tudo está em boas condições e que "todas as instituições estão funcionando como o previsto".

A votação, a quarta desde que o Chile recuperou a democracia em 1990, será realizada em meio a um contexto econômico forte, com crescimentos superiores a 6% nos últimos anos e uma impressionante obra de infra-estrutura que mudou a cara do país.

Neste cenário, a direita chilena procura chegar ao poder após três tentativas fracassadas, enquanto a Concertação tenta um quarto Governo com uma liderança de novo tipo, encarnado pela médica socialista, agnóstica e divorciada.

Segundo os analistas, o trabalho de propaganda feito pelos dois candidatos desde que foram divulgados os resultados do primeiro turno não provocou alterações drásticas na decisão de voto.

Assim confirma a última pesquisa divulgada na quinta-feira pela empresa de consultoria internacional Mori, em que Bachelet tem 53% das intenções de voto, contra 47% de Piñera. No primeiro turno, realizado em 11 de dezembro, a ex-ministra da Defesa obteve 45,96% dos votos, contra 25,41% de Piñera.

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