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27/03/2006 - 19h52
Confirmada vinculação de Palocci com quebra de sigilo bancário
Brasília, 27 mar (EFE).- O ministro da Fazenda, Antonio Palocci,
que pediu hoje renúncia de seu cargo, teve acesso a um extrato
bancário obtido ilegalmente por seus subordinados, confirmou hoje a
Polícia Federal.
Palocci, que vinha sendo alvo de acusações de corrupção desde o
ano passado, apresentou hoje sua carta de renúncia ao presidente
Luiz Inácio Lula da Silva, embora até agora não tenham sido
divulgados os motivos de sua decisão.
Poucos minutos depois de o Ministério da Fazenda anunciar sua
renúncia, a Polícia Federal informou que, em um interrogatório ao
qual foi submetido hoje, o presidente da Caixa Econômica Federal
(CEF), Jorge Mattoso, vinculou diretamente Palocci ao escândalo da
violação de sigilo bancário.
A Polícia tenta identificar desde a semana passada os
funcionários responsáveis pela filtragem ilegal à imprensa dos dados
bancários do caseiro Francenildo Costa, que trabalhava em uma mansão
em Brasília e reforçou suas acusações contra Palocci.
Apesar de o ministro ter garantido perante o Congresso que não
conhecia a mansão em Brasília na qual alguns de seus
ex-colaboradores realizavam negócios obscuros e festas com
prostitutas, Costa disse ter visto Palocci várias vezes no local.
Depois da divulgação dessa acusação, um extrato bancário do
caseiro foi retirado ilegalmente de um computador da CEF e filtrado
à imprensa.
Em seu depoimento de hoje perante a Polícia Federal, o presidente
da CEF admitiu que recebeu o extrato bancário de seus subordinados e
o entregou "pessoalmente" ao ministro da Fazenda.
"Foi um testemunho corajoso, mas de alguém que está arrasado",
comentou o delegado Rodrigo Carneiro Gomes, responsável pelo
inquérito.
Segundo a Polícia Federal, o sigilo bancário foi quebrado por
funcionários do banco estatal que receberam ordens superiores e o
extrato foi entregue inicialmente ao presidente da Caixa Econômica
Federal, que o levou até Palocci.
As informações da conta bancária, segundo os investigadores,
foram filtradas à imprensa por subordinados de Palocci no Ministério
da Fazenda.
A manobra pretendia desacreditar o caseiro, já que, apesar de
ganhar apenas R$ 700 por mês, Francenildo recebeu nas últimas
semanas depósitos de cerca de R$ 40.000.
Parlamentares da base governista chegaram a acusar o caseiro de
receber dinheiro da oposição para acusar Palocci, mas Francenildo
alega que os valores tinham sido depositados por um empresário de
quem diz ser filho. UOL Busca - Veja o que já foi publicado com a(s) palavra(s)

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