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31/03/2006 - 11h34
Na Índia, quase todo mês tem festa de ano novo
Carla de la Vega
Nova Délhi, 31 mar (EFE).- Hoje é ano novo na Índia... como foi
no mês passado e será no próximo: no imenso país, nem os hindus mais
devotos chegam a um acordo, com seu vasto panteão de deuses e seus
30 calendários diferentes.
"Feliz Chaitra Sukladi!", dizem hoje os hindus que vivem no norte
da Índia, enquanto no sul comemoram o "Ugadi" e no centro do país é
celebrado o "Gudi Padwa".
Apesar dos nomes diferentes, todos iniciam hoje o ano com seus
melhores desejos e oferendas a seus deuses, entre eles Brahma (o
criador), Kali (a deusa da destruição), Hanuman (o deus macaco) e
Ganesh (o deus da fortuna, com cabeça de elefante).
No entanto, para os habitantes de Kerala, no sudoeste da Índia,
ainda falta um mês para que o ano acabe e eles possam celebrar o
"Vishu", enquanto os hindus da Caxemira já começaram seu "Navreh" na
segunda semana de março.
Hoje, em Nova Délhi, o verdureiro Yogashwas Prasad foi trabalhar
depois de visitar o templo e fazer suas oferendas, e agora exibe
orgulhoso a marca do "tilak" na testa (um ponto vermelho).
"É um dia importante. Orei no templo e em casa fiz uma oferenda
aos deuses com uma vasilha cheia de água, coco, doces, frutas e uma
vela, que ficará acesa até que terminem os nove primeiros dias do
ano", disse Prasad, que celebra o "Chaitra Sukladi" e ignora as
outras festividades.
No estado de Adhra Pradesh, no sudeste, é comemorado o "Ugadi",
que marca o momento mais propício para começar novos negócios,
compras de casa ou carros e nascimento de crianças. Os sacerdotes
lêem o futuro, ou "panchanga sharavanam", como é chamado.
O festival seria incompleto sem o tradicional "Ugadi pacchadi",
uma pasta de flores e manga que, segundo a tradição, se tiver sabor
amargo para quem a experimenta é sinal de problemas no ano que
começa, mas, se for doce, representa boa sorte.
Na Índia, um país onde convivem diferentes religiões, outros
grupos além dos hindus decidem quando começa o seu ano e o panorama
se complica ainda mais quando entram em cena as demais crenças.
Oficialmente, o ano se inicia com o calendário gregoriano, em 1
de janeiro. Depois, vem o Al Hijral, em 31 de janeiro, quando os
muçulmanos iniciam seu ano, seguidos pelos siques, em 14 de março, e
os parsis, que se despedem do ano velho em agosto.
"Em meu escritório, pergunto a meus companheiros que festividade
é comemorada e cada dia um deles me diz algo diferente. Até eles se
confundem, e no fim o jeito é não trabalhar", disse Salvatore
Magallano, um executivo italiano que vive há um ano e meio na Índia.
A confusão acontece porque até 1957 não havia um calendário
nacional na Índia, de forma que mais de 30 almanaques diferentes,
baseados na astronomia, eram usados pelas religiões e pelos estados
para marcar o início do ano.
Os sacerdotes e astrônomos criaram os calendários, que apesar de
hoje em dia serem obsoletos ainda são seguidos por muita gente.
Durante anos os muçulmanos seguiam o calendário islâmico e o Governo
utilizava o gregoriano para a administração pública.
O atual calendário da Índia, baseado na lua e no sol, que
coincide com os anos bissextos no Ocidente, começa com a Saka Era,
Chaitra 1, 1879, que corresponde no calendário ocidental a 22 de
março de 1957.
Embora este seja o calendário oficial, há muitas pessoas que
ainda acompanham o antigo almanaque hindu chamado "panchang", que se
baseia somente nos movimentos lunares, para fixar os feriados
religiosos e os momentos mais favoráveis para se casar, ter filhos,
plantar e colher. UOL Busca - Veja o que já foi publicado com a(s) palavra(s)

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