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05/04/2006 - 21h03
Fotógrafo pode ter sido morto por policial na Venezuela
Caracas, 5 abr (EFE).- O repórter fotográfico Jorge Aguirre
morreu hoje na capital venezuelana, após ser baleado por um suposto
policial quando cobria um protesto de estudantes pelo seqüestro e
assassinato de três irmãos e do motorista que os acompanhavam.
Aguirre estava num veículo do jornal venezuelano "El Mundo" e, de
acordo com a versão à imprensa do diretor da publicação, Enrique
Rondón, o fotógrafo foi atacado por um suposto policial que estava
de carona em uma moto.
Rondón disse que o indivíduo que atirou se apresentou como uma
"autoridade", e exigiu que o veículo estacionasse, ordem que
inicialmente não foi cumprida pelo motorista, que parou após receber
dois tiros na parte traseira do carro.
O diretor do jornal acrescentou que depois de o veículo
estacionar, Aguirre saiu e o suposto policial atirou contra ele.
O fotógrafo caiu de joelhos, mas teve tempo para tirar uma foto
do agressor, que já estava de costas. Aguirre foi levado para o
Hospital Universitário, mas não resistiu e morreu.
O motorista do carro do "El Mundo", Julio Canelón, disse que a
moto tinha características semelhantes às usadas pela Polícia, mas
estava sem placa e sem distintivos.
Os homens não estavam com uniformes da Polícia e usavam capacetes
com lentes escuras.
Representantes do jornal de Caracas disseram que a foto tirada
por Aguirre foi enviada à Polícia.
Rondón explicou que o fotógrafo tinha que fazer uma reportagem no
estádio esportivo da Universidade Central da Venezuela, e aproveitou
para tirar algumas fotos da manifestação em protesto pelo
assassinato dos irmãos Faddoul e do motorista Miguel Rivas.
Os corpos de Jhon, Kevin e Jeason Faddoul, de 17, 13 e 12 anos, e
o do motorista Miguel Rivas, de 30 anos, foram encontrados na
terça-feira, com marcas de tiros, em Yare, 60 quilômetros ao sul de
Caracas.
Os três jovens, seqüestrados em 23 de fevereiro, eram filhos de
um empresário libanês naturalizado canadense, que vivia na Venezuela
há 20 anos. O crime comoveu a opinião pública venezuelana.
A vice-presidente da Assembléia Nacional (AN), a jornalista
Desirée Santos, pediu que a Polícia investigue o assassinato de
Aguirre porque considerou "muito estranho" o fato de que ele tenha
sido atacado num carro identificado com logotipos do "El Mundo".

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