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29/04/2006 - 10h56
Cientista americano propõe construção de tapete voador espacial

Orlando Lizama Washington, 29 abr (EFE).- O tapete voador das histórias infantis parece não ser tão absurdo como se pensava: um cientista americano projetou um veículo similar para missões espaciais.

A idéia consiste em uma espécie de tapeçaria gigante que se desenrolaria no espaço para receber luz solar, a fonte de energia que permitiria que o estranho veículo alcançasse os mais distantes recantos do Sistema Solar, chegando às proximidades de Plutão.

A propulsão nuclear não seria necessária e a questão do combustível necessário para viagens espaciais, cujo custo e peso sempre foram um dos principais obstáculos, estaria resolvido.

A idéia do cientista Rudolph Meyer, da Universidade da Califórnia, será publicada sábado na revista "New Scientist".

Segundo o pesquisador, o "tapete voador" pesaria cerca de 200 quilos, teria 3.125 metros quadrados e poderia se deslocar pelo espaço a uma velocidade de 666.000 km/h, o que lhe permitiria alcançar Plutão em menos de um ano.

Em termos concretos, a singular nave espacial de Meyer consiste em uma enorme membrana solar que forneceria energia para um conjunto de motores iônicos nos quais os íons de xenônio são atraídos para uma tela de alta voltagem.

O cientista admite que para que o projeto se torne real, ainda faltam muitos avanços na tecnologia dos painéis solares.

Contudo, segundo Meyer, estes painéis já se transformaram em fonte habitual de energia na Estação Espacial Internacional (ISS) e em veículos exploradores da Nasa que estão na superfície de Marte.

O problema é que os painéis atuais pesam muito e o projeto prevê que estas estruturas não poderão ter mais do que 16 gramas por metro quadrado.

No entanto, o cientista afirma que, se os avanços forem alcançados num prazo relativamente curto, seu "tapete voador" poderia ser a alternativa para naves espaciais de propulsão nuclear como a missão Prometheus, que a Nasa desenvolve para visitar Júpiter e suas luas nos próximos anos.

Até então, a energia atômica foi considerada pouco aconselhável para vôos espaciais, pois um acidente ou um vazamento de resíduos de uma nave poderia causar uma contaminação radioativa interplanetária.

Segundo Meyer, seu sistema poderia ser colocado no espaço por uma nave. Uma vez instalado em terra, a membrana solar encostada à nave se desenrolaria e ficaria estável por meio de motores iônicos posicionados nas suas extremidades.

Ao mesmo tempo, dispositivos que funcionariam como maçaricos fariam com que o "tapete" estivesse sempre estendido e voltado para o Sol.

Outro conjunto de motores iônicos teria a função de impulsionar a membrana solar rumo ao seu destino.

Para solucionar a questão do peso dos painéis, Meyer propõe que estas estruturas sejam compostas de arsenito de gálio e fiquem sobre uma membrana flexível de poliéster.

Com isto, "não se viola nenhum dos princípios físicos que regem os semicondutores e seus revestimentos".

O "tapete solar" de Meye ainda não teve repercussão na comunidade científica e entre as principais autoridades da Nasa.

No entanto, Geoffrey Landis, do Centro Glenn de Pesquisas da Nasa, em Cleveland, (Ohio), disse que embora a idéia seja ambiciosa, os futuros avanços tecnológicos, especialmente no campo dos painéis solares, a tornariam factível.

"Se isto for alcançado, os veículos de propulsão iônica seriam uma alternativa tecnológica prática para as futuras missões aos extremos inter-estelares", afirmou.

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