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11/05/2006 - 12h53
Bento XVI diz a Chávez que teme reforma educacional
Juan Lara
Cidade do Vaticano, 11 mai (EFE).- O presidente da Venezuela,
Hugo Chávez, foi recebido hoje pelo Papa Bento XVI, que reiterou a
liberdade da Santa Sé na nomeação dos bispos e expressou sua
preocupação com um projeto do Governo de reforma na educação "no
qual não haveria espaço para o ensino da religião".
Bento XVI e Chávez conversaram a sós durante 35 minutos na
biblioteca privada do Pontífice, no Palácio Apostólico Vaticano.
Segundo o porta-voz da Santa Sé, Joaquín Navarro Valls, Hugo
Chávez falou com o Papa sobre os projetos de mudança social que está
implantando na Venezuela. Bento XVI tocou em assuntos que o preocupam.
"Sobretudo reiterou a liberdade da Santa Sé na nomeação dos
bispos e expressou seu desejo de que a Universidade Católica Santa
Rosa de Lima possa manter sua identidade católica", disse Navarro
Valls, em referência ao projeto do Governo da Venezuela de tornar a
instituição de ensino pública.
O Pontífice disse a Chávez que está preocupado com "um projeto de
reforma na educação no qual não haverá espaço para o ensino da
religião". Bento XVI também pediu que os programas de saúde pública
"mantenham como prioridade a proteção da vida desde seu início".
Segundo o comunicado de Navarro Valls, o Papa ressaltou "a
exigência da independência dos meios de comunicação católicos".
O presidente Hugo Chávez demonstrou seu interesse pelos pedidos
do Papa e "seu compromisso em superar qualquer tensão a respeito dos
legítimos direitos de todos", acrescentou o porta-voz da Santa Sé.
Durante a audiência, o Papa entregou ao presidente venezuelano
uma carta na qual resume seus pedidos "para o bem do país", disse
Navarro Valls.
Hugo Chávez chegou ao Vaticano acompanhado de uma delegação de 12
pessoas, entre elas o presidente da Assembléia Nacional, Nicolás
Maduro, e os ministros de Planejamento e Desenvolvimento e da
Secretaria da Presidência, Jorge Giordani e Delcy Rodríguez Gómez,
respectivamente.
O prefeito de Caracas, Juan Barreto, e o ministro de Integração
Comércio Exterior, Gustavo Márquez Marín, também integram a
delegação.
O Papa recebeu Chávez na entrada de sua biblioteca privada, dando
boas-vindas em espanhol. "Bom dia, Santidade. Estou encantado por
cumprimentá-lo. Que gosto poder cumprimentá-lo. Como está o
senhor?", respondeu o presidente venezuelano. O Papa, em italiano, se referiu ao bom tempo na capital italiana
e disse: "É um belo dia da primavera romana".
O Pontífice disse em italiano que haveria um intérprete para
traduzir suas palavras para o espanhol. Chávez respondeu: "Meu
italiano não é muito bom".
Após a reunião, os demais integrantes da delegação entraram na
biblioteca e o presidente Chávez presenteou Bento XVI com um quadro
de um metro de altura com a imagem de Simón Bolívar.
"Santidade, Simón Bolívar nasceu em Caracas, mas 'o Libertador'
nasceu em Roma", disse o presidente venezuelano ao Pontífice,
acrescentando que quando Bolívar tinha 21 anos esteve em Roma e foi
ao Monte Sacro (Aventino), onde jurou que libertaria a Venezuela e
toda a América do Sul.
No quadro, abaixo da imagem de Bolívar, há uma placa com o escudo
da Venezuela e o texto do testamento do líder independentista, que
foi lido por Chávez.
"O testamento demonstra que Simón Bolívar não era um ateu, mas um
católico fiel", disse Chávez.
Bento XVI presenteou o governante venezuelano com um tríptico da
medalha de seu pontificado em ouro, prata e bronze e um exemplar
assinado da sua encíclica "Deus Caritas est" (Deus é Amor).
Concluída a audiência, o presidente Chávez se reuniu durante
quase 45 minutos com o secretário de Estado do Vaticano, Angelo
Sodano.
É a terceira vez que Hugo Chávez é recebido pelo Vaticano, mas é
a primeira vez que se encontra com o Papa Bento XVI. O presidente
venezuelano já foi recebido em 30 de setembro de 1999 e em 12 de
outubro de 2001 por João Paulo II. UOL Busca - Veja o que já foi publicado com a(s) palavra(s)

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