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19/05/2006 - 18h56
Greenpeace bloqueia, em protesto, porto da Cargill em Santarém

Manaus, 19 mai (EFE).- Um protesto da organização ecológica Greenpeace em um porto da multinacional de alimentos Cargill em Santarém (PA) terminou hoje com 16 presos e seis feridos, em meio a uma forte tensão entre os manifestantes e a população local, informaram diversas fontes.

O Greenpeace bloqueou o porto de embarque e desembarque de soja da Cargill em Santarém - utilizando o navio "Artic Sunrise" - em protesto "pela destruição da Amazônia e pelo avanço dos cultivos" do grão.

Dois rebocadores da Marinha foram utilizados para retirar a embarcação que impedia a descarga de nove balsas com soja colhida no oeste da Amazônia, disse o coordenador da campanha Amazônia do Greenpeace, Paulo Adário.

A Polícia disse que advertiu os ecologistas de que corriam risco de serem agredidos por produtores de soja que ocuparam a embarcação e obrigaram os voluntários a se refugiarem nos porões do navio.

"Fomos acusados de violar a lei de navegação", disse Adário.

Policiais militares e federais ocuparam o navio do Greenpeace.

"Ao mesmo tempo em que nos detiveram, também nos protegeram dos produtores, que portavam armas brancas" afirmou.

Adário confirmou as versões da Polícia Militar local de que a população de Santarém "está polarizada" entre os que acusam o Greenpeace de representar interesses estrangeiros que pretendem dominar a Amazônia e os que estão a favor dos ecologistas.

A campanha do Greenpeace tenta convencer os habitantes da região de que empresas como a Cargill estão "internacionalizando" a Amazônia e que controlam 60% da produção de soja brasileira para exportação.

Porta-vozes dos produtores de soja afirmam que o discurso dos ecologistas é uma desculpa para esconder interesses comerciais de países que temem a concorrência do cultivo brasileiro.

Cinco voluntários da organização em defesa do meio ambiente colocaram cartazes nas dependências da Cargill contra a soja que "é exportada para a Europa como alimento animal e é cultivada em zonas desflorestadas da Amazônia".

"Empresas norte-americanas como a Cargill estão devorando a Amazônia para cultivar soja. A carne alimentada com essa soja termina nas prateleiras de supermercados e restaurantes de fast-food da Europa", afirma o Greenpeace.

"Nossos voluntários continuarão protestando pacificamente para proteger a floresta tropical mais preciosa do mundo que está sendo destruída para alimentar frangos, porcos e vacas", concluiu a organização.

O Greenpeace afirma que 1,2 milhão de hectares de floresta amazônica já foram transformados em plantações de soja cultivadas ilegalmente. Também acusa os produtores do grão de estarem envolvidos em atividades ilegais como escravidão e apropriação indébita de terras.

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