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22/06/2006 - 13h27
Bruxelas sedia evento sobre violência sexual em conflitos bélicos

Bruxelas, 22 jun (EFE).- Mais de 250 representantes de 30 países se reúnem hoje e amanhã em Bruxelas para debater a violência sexual contra crianças e mulheres em conflitos bélicos, analisando o impacto social, cultural e econômico do crime e os benefícios de sua prevenção.

A conferência pretende se tornar um "veículo para garantir a aplicação de medidas preventivas em todos os programas de assistência humanitária, desenvolvimento e reconstrução", através do intercâmbio de experiências, do apoio político e financeiro e de planos de ação nacionais.

A organização da conferência está sob a responsabilidade do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e patrocinada pela Comissão Européia (CE) e pelo Governo belga.

O evento conta com a participação de políticos, parlamentares, doadores, representantes da ONU, de Organizações Não-Governamentais (ONG) e de meios de comunicação.

Além disso, as delegações de países que atravessam conflito atualmente, como Bósnia Herzegovina, Burundi, Colômbia, Haiti, Libéria, dos territórios palestinos e da República Democrática do Congo, também estão presentes no evento.

Na abertura do encontro, a diretora-executiva do UNFPA, Thoraya Ahmed Obaid, qualificou o número de mulheres e crianças exploradas sexualmente, durante e após os conflitos bélicos, como "alarmante".

Obaid lembrou que 39% das mulheres sobreviventes ao genocídio de Ruanda, em 1994, foram violentadas, e grande parte delas está infectada com o HIV.

Além disso, a diretora apontou que entre 50 mil e 64 mil mulheres refugiadas foram vítimas de abusos sexuais durante a guerra em Serra Leoa.

A representante da ONU destacou também que muitas dessas mulheres sobreviventes são discriminadas pelo que passaram, o que aumenta ainda mais o sofrimento das vítimas.

"A comunidade internacional e os Governos devem fazer mais para prevenir estes crimes e violações dos Direitos Humanos, que constituem um problema de saúde e uma ameaça ao desenvolvimento, à paz e à reconstrução", disse Ahmed Obaid.

A conferência será encerrada com um forte apelo à comunidade internacional para que reaja de forma decisiva a este problema.

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