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19/07/2006 - 20h24
Cientistas alertam para suposta "crise de biodiversidade"
Julio César Rivas
Toronto (Canadá), 19 jul (EFE).- Um grupo de cientistas de vários
países advertiu que a Terra está "à beira de uma grande crise de
biodiversidade" e pediu a criação de uma organização que apóie
iniciativas em todo o mundo para resolver o problema.
Os cientistas, procedentes de 13 países, alertaram na última
edição da revista "Nature" que as divergências entre as informações
registradas pelos analistas sobre biodiversidade e as políticas
públicas precisam ser reduzidas urgentemente devido à gravidade da
crise atual.
O grupo afirmou que "praticamente todos os aspectos da
biodiversidade sofreram um acentuado declive e um grande número de
povoados e espécies provavelmente será extinto neste século".
"Apesar desta evidência - acrescentaram -, a biodiversidade
continua sendo um tema constantemente subestimado e que não recebe a
importância adequada tanto em decisões privadas como em públicas. Há
uma necessidade urgente de aproximar a ciência e a política".
A cientista chilena Mary Kalin Arroyo, uma das signatárias da
declaração, disse à Efe que o pedido do grupo de cientistas é uma
resposta a um sentimento de "frustração" entre os que trabalham em
áreas da biodiversidade, pela falta de ação sobre o tema.
Kalin Arroyo destacou o papel fundamental da biodiversidade na
proteção de todo o planeta e solicitou a criação de um mecanismo
como o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas formado
por cientistas de todo o mundo e que assessora os Governos sobre as
medidas que devem ser tomadas frente à ameaça.
Os cientistas afirmam que a biodiversidade "é intrinsecamente
mais complexa" que questões como o buraco na camada de ozônio da
atmosfera e as mudanças climáticas, porque "abrange vários níveis da
organização biológica (genes, espécies, ecossistemas)", explica
Kalin Arroyo.
Segundo a pesquisadora, a biodiversidade "não pode ser medida de
forma simples com indicadores universais como temperatura e
concentração de CO2 na atmosfera. Sua distribuição e gestão são de
natureza local".
Neste sentido, Kalin Arroyo destacou que um sinal da degradação
da biodiversidade é fácil de ser detectado em nível regional com
"dados confiáveis sobre possíveis espécies locais em extinção".
A cientista do Instituto de Ecologia e Biodiversidade do Chile
(IEB) afirmou que de todas as espécies de animais, os mais ameaçados
podem ser os anfíbios. "É apenas a ponta do iceberg", comentou.
Os cientistas afirmam que atualmente 12% das espécies de aves,
23% das de mamíferos, 25% das coníferas, e 32% dos anfíbios sofrem
risco de extinção.
As mudanças climáticas poderiam integrar de 15% a 37% das
espécies existentes à lista de espécies que correm perigo de
extinção nos próximos 50 anos.
Apesar do alerta lançado pela "Nature", Kalin Arroyo se mostrou
convencida de que ainda há tempo para reverter a atual situação.
"Sou otimista. Ainda teremos tempo se tomarmos ações coletivas",
disse.
Robert Watson, diretor científico do Banco Mundial (BM), afirmou
que "pelo bem do planeta, a comunidade científica precisa se
organizar e coordenar seu trabalho, formando uma voz única que
assessore Governos sobre os passos que devem ser adotados para deter
esta perda catastrófica de espécies".
Os signatários do manifesto consideram que é o momento adequado
para a formação de um conselho internacional sobre biodiversidade
após o apoio político dado à idéia por parte do presidente francês,
Jacques Chirac, em janeiro de 2005, e o apoio de mais de dois mil
cientistas de 100 países.
O Governo francês financia um processo de consultas para
determinar a formação do conselho que em 18 meses apresentará suas
conclusões. UOL Busca - Veja o que já foi publicado com a(s) palavra(s)

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