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30/07/2006 - 14h07
Bombardeios de estradas por Israel atrapalham volta de brasileiros, diz Itamaraty

Das Agências

Lucio Távora/Folha Imagem - 22.07.06

Everton Vargas, que coordena a retirada de brasileiros do Líbano

Everton Vargas, que coordena a retirada de brasileiros do Líbano

BRASÍLIA - Os intensos bombardeios israelenses contra estradas utilizadas para a evacuação de civis do Líbano têm dificultado as operações de repatriação dos cidadãos brasileiros da zona de conflito, informaram hoje fontes oficiais.

O embaixador Everton Vieira Vargas, coordenador do Grupo de
Trabalho de Apoio aos Brasileiros no Líbano do Ministério das
Relações Exteriores, disse que os bombardeios danificaram uma
estrada pela qual são evacuados os moradores da região do Vale do
Bekaa, onde vivem milhares de brasileiros.

"As autoridades brasileiras estão em contato com o Governo do
Líbano para estudar a situação", disse Vargas em entrevista
coletiva, reafirmando que a estrada bombardeada por Israel
representava "a saída natural" para aqueles que fogem rumo a
Damasco.

"Não sabemos até onde o bombardeio impede o trânsito e nem por
quanto tempo", acrescentou o diplomata, que esclareceu que essa via
de escape deixou de ser segura.

Até agora, incluindo as 152 pessoas que chegaram hoje a São Paulo
em um avião da Força Aérea (FAB), o Itamaraty evacuou 1.199 cidadãos
da zona de conflito. Outros 519 brasileiros escaparam por seus
próprios meios da região, fazendo com que o número total de
evacuados do país chegasse a 1.718, segundo Vargas.

O Governo brasileiro montou um "centro de operações" na cidade
turca de Adana, onde na semana passada esteve o próprio ministro das
Relações Exteriores, Celso Amorim.

Ainda de acordo com Vargas, outro avião da FAB embarcou hoje rumo
a Adana, onde é esperado por outros 75 brasileiros que devem
retornar ao país nos próximos dias.

Lula "indignado"

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou neste domingo uma mensagem ao primeiro-ministro do Líbano, Fouad Siniora, lamentando o ataque israelense em Qana e defendendo cessar-fogo imediato no conflito.

"Estou profundamente chocado, indignado e consternado com os violentos bombardeios israelenses neste domingo em Qana, no sul do Líbano, que vitimaram a população civil, incluindo dezenas de crianças, mulheres e idosos", declarou Lula, em comunicado divulgado pelo Itamaraty.

Ele ainda reafirmou a oposição do governo brasileiro a "atos de violência indiscriminada e ao uso de força militar contra alvos civis por quem quer que seja."

Lula destacou que o Brasil vai apoiar o apelo do governo libanês para que o Conselho de Segurança das Nações Unidas exija o "cessar-fogo imediato" dos conflitos.

Neste domingo, Israel fez um ataque aéreo no povoado de Qana, no sul do Líbano, matando dezenas de civis, a maioria mulheres e crianças. A ONU condenou os ataques e convocou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança para discutir a situação.

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