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01/08/2006 - 00h36
Raúl Castro assume pela primeira vez o comando de Cuba
Havana, 31 jul (EFE).- Pela primeira vez em quase meio século de
revolução, Raúl Castro, segundo homem da hierarquia cubana e
ministro das Forças Armadas, assumiu a chefia do Partido Comunista,
o Conselho de Estado e o Exército, temporariamente, devido à grave
doença de seu irmão, Fidel Castro.
Como primeiro vice-presidente dos Conselhos de Estado e de
Ministros, segundo secretário do Comitê Central do Partido Comunista
de Cuba (PCC) e ministro das Forças Armadas Revolucionárias (FAR),
Raúl Castro, de 75 anos, é o sucessor legal do líder da revolução.
A Constituição cubana estabelece que o primeiro vice-presidente
assumirá as funções do presidente em caso de ausência, doença ou
morte.
Raúl é, além disso, um homem-chave para a sucessão no poder e o
futuro do socialismo em Cuba.
"Depois de mim, Raúl é quem tem mais experiência, mais
conhecimento. Mas não está sozinho. Há um grupo de jovens com
talento em nosso país", disse Fidel Castro em junho de 2001, após
sofrer um desmaio num ato público nos arredores de Havana.
Agora, devido à operação de seu irmão Fidel, Raúl assumirá
provisoriamente a Chefia do Estado cercado de veteranos no birô
político do Partido, como José Ramón Machado Ventura e José Ramón
Balaguer, e de quadros de gerações mais novas, como o
vice-presidente, Carlos Lage, e o chanceler, Felipe Pérez Roque,
dois dos homens mais próximos ao governante.
Apesar de terem personalidades muito diferentes, segundo apontam
alguns de seus biógrafos, os dois irmãos têm se mostrado
estreitamente unidos ao longo de toda a sua vida.
Ao lado da figura marcante de Fidel, Raúl se mantém num discreto
segundo plano. "Dedico 90% do meu tempo ao Partido Comunista de Cuba
e a maioria das minhas atividades não é publicável. Por isso não
saio na imprensa", justificou, durante uma cerimônia militar, em
dezembro de 2003.
Educado no colégio dos Jesuítas de Santiago de Cuba e depois em
Havana, como seu irmão, estudou na Universidade enquanto participava
dos movimentos de luta contra a ditadura de Fulgencio Bastista,
seguindo os passos de Fidel.
Em julho de 1953 comandou a tomada do Palácio de Justiça de
Santiago de Cuba, dentro da operação do assalto ao quartel Moncada
organizado por Castro para derrubar o Governo de Batista.
Após o fracasso da tentativa, foi condenado a 13 anos de prisão.
Mas, assim como o seu irmão, foi beneficiado por uma anistia dois
anos depois. Eles se exilaram no México, onde prepararam a expedição
do iate Granma que daria início à revolução, em dezembro de 1956.
Durante sua luta na serra, participou de todas as campanhas
guerrilheiras e, em fevereiro de 1958, foi promovido a comandante
por seu irmão. Com o posto, ganhou a responsabilidade de abrir uma
segunda frente de combate nas províncias do leste.
Na clandestinidade, conheceu Vilma Espín, com quem se casou no
início de 1959, após o fim da luta armada.
Depois da vitória da revolução, dedicou-se à criação das Forças
Armadas Revolucionárias. Durante os primeiros anos do Governo
revolucionário ele se encarregou de manter contatos de alto nível
com a hoje extinta União Soviética.
Embora tenha a reputação de homem duro e ortodoxo, Raúl Castro é
considerado o responsável por algumas das mais importantes
iniciativas de reforma do país. Ele transformou as forças rebeldes
num Exército moderno, com a criação das Forças Armadas
Revolucionárias, em 1959.
Sob seu comando, as Forças Armadas superaram os limites militares
e formaram quadros para o Partido Comunista de Cuba e ministros ao
Governo, dirigindo algumas das atividades econômicas mais
importantes do país.
Em 1994, em pleno período especial, foi o artífice da abertura
dos mercados livres camponeses para garantir alimentos à população.
Sua vida privada é cercada da máxima discrição. Como Fidel, Raúl
é alvo de boatos periódicos sobre supostos problemas de saúde,
alimentados por suas longas ausências de atos públicos. UOL Busca - Veja o que já foi publicado com a(s) palavra(s)

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