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01/08/2006 - 14h21
Dissidentes afirmam que chegou o momento de mudanças em Cuba

Havana, 1 ago (EFE).- Vários dissidentes cubanos afirmaram nesta terça-feira que esta é a hora da mudança em Cuba, após o repasse provisório do governo da ilha caribenha por parte de Fidel Castro a seu irmão Raúl, devido a uma crise intestinal no líder da Revolução Cubana.

Eloy Gutiérrez Menoyo, ex-comandante da Revolução realizada no país em 1959 e líder do grupo moderado Mudança Cubana, opinou que esta "é uma grande oportunidade para que Raúl (Castro) possa dar início a algumas mudanças necessárias, não avaliadas por Fidel".

"Não esperamos nenhuma mudança espetacular, mas qualquer indicador de vontade neste sentido seria muito bem-vindo, porque realmente o país necessita de transformações", disse à Efe o líder do Mudança Cubana, grupo que tem sede em Miami (EUA).

"Acho que mais cedo ou mais tarde terão de reconhecer que um país vive de diversidades, e que certamente o sistema de partido único acaba sendo algo altamente chato e sem possibilidade de futuro", acrescentou Gutiérrez Menoyo, que esteve preso, exilado em Miami e retornou a Cuba em 2003 após ter passado 20 anos no exílio.

"No Mudança Cubana estamos dispostos a cooperar para uma transformação favorável em tudo o que estiver a nosso alcance, e qualquer mudança seria recebida com nossa aprovação", acrescentou.

Menoyo afirmou também que os grupos de exilados em Miami estão dando uma dimensão maior ao ocorrido, ao analisarem a internação de Fidel "com um grau bastante elevado de euforia".

Já para o dirigente anticastrista cubano Hubert Matos, Fidel pretende manter "uma monarquia civil" no país, com a cessão do poder a seu irmão. "Chama atenção a inquestionável determinação dos irmãos Castro de continuar mantendo o país sob uma ditadura totalitária", declarou Matos à emissora de rádio "Radioprogramas del Perú".

O ex-comandante do Exército Rebelde cubano reafirmou que a doença de Fidel Castro abre, na sua opinião, "uma possibilidade" para que o povo cubano "reivindique" uma mudança na política interna, e que a todos os exilados correspondem "apoiar" essa iniciativa.

Matos também comentou que é possível "especular sobre o estado atual de Fidel Castro", mas que "a única certeza" é a de que tem "a saúde muito comprometida, de um homem que está um pouco decadente".

Acusou o presidente cubano de ter "fracassado a ponto de transformar o país em uma grande prisão", e Raúl Castro de ser "tão criminoso como seu irmão Fidel", embora tenha dito que sem o "carisma, o talento do líder, e sem os mesmos valores" também.

Huber Matos lutou junto com Castro contra o regime de Fulgencio Batista, e após o triunfo da Revolução ficou preso por 20 anos, até que foi libertado em 1979 e acabou exilado em Miami, onde fundou o movimento Cuba Independiente e Democrática.

O também opositor ao regime de Castro Vladimiro Roca, do grupo Todos Unidos, considerado ilegal pelo Governo, considerou que agora "é preciso ter calma e atuar com responsabilidade".

"Digo ao povo que reaja com bom senso, porque definitivamente o que temos é uma informação do próprio Governo assinada por Fidel Castro, que sequer fez um comentário pessoal", completou.

Segundo Roca, a notícia sobre a repentina doença de Fidel Castro "poderia ser uma manobra por parte do Governo para desviar a atenção dos problemas do país, como a situação dos direitos humanos".

Laura Pollán, representante do movimento "Damas de Branco", que em 2005 obteve o prêmio Sakharov do Parlamento Europeu por sua luta em defesa dos direitos humanos, disse que, em nome das mulheres e parentes dos presos políticos, "queria que mudanças pudessem se tornar realidade em Cuba o mais rápido possível".

"Somos mulheres pacíficas e cristãs, e para nós o fundamental é a liberdade imediata e incondicional de nossos esposos e familiares",
ressaltou Pollán, esposa de Héctor Maseda, um dos 75 dissidentes detidos em 2003.

"Pedimos ao povo em geral que espere de forma pacífica, como sempre tem feito a oposição, porque devemos atuar desta forma para que não ocorram situações violentas, pois nas atuais circunstâncias os mais prejudicados serão os presos", acrescentou.

Gisela Delgado, mulher de Héctor Palacios, que cumpre condenação de 25 anos de prisão desde 2003, acredita que a doença de Castro "sem dúvida criará uma incerteza muito grande na sociedade em geral, porque esta não sabe como analisar isso".

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