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01/08/2006 - 16h04
Saiba quem é quem no exílio cubano

Miami, 1 ago (EFE).- Saiba mais sobre os principais personagens políticos do exílio cubano acompanham com expectativa a situação na ilha, onde Fidel Castro cedeu provisoriamente o poder a seu irmão Raúl e foi operado.


Quem é quem no exílio cubano:

- Jorge Mas Santos: filho do histórico líder do exílio cubano Jorge Mas Canosa, assumiu a Presidência da direção da Fundação Nacional Cubano-Americana (FNCA) após a morte de seu país. Desde então, dirigiu os programas da organização para Cuba em apoio à liberdade, à democracia e ao respeito aos direitos humanos.

Também lidera a política da instituição de trabalhar com o Congresso americano, em apoio de um consenso bipartidário em torno de uma política forte nas relações Estados Unidos-Cuba.

Durante sua Presidência, em 2001, houve uma divisão da FNCA devido à renúncia de cerca de vinte diretores, segundo os quais a organização tomara "um rumo que não é compatível com os princípios da instituição". Esses diretores denunciaram a dissolução do comitê executivo.

-Francisco (Pepe) J. Hernandez: presidente da FNCA e membro fundador uniu-se à Brigada 2506 e participou da fracassada invasão da Baía dos Porcos (Cuba), em abril de 1961.

Após o fracasso daquela operação, permaneceu dois anos como preso político em cadeias cubanas. Retornou aos EUA em 1963 como parte de um acordo entre Washington e Havana.

Como presidente da FNCA, foi encarregado de desenvolver e implementar programas relacionados aos direitos humanos, à reconstrução de Cuba para quando houvesse o desmantelamento do regime castrista e por outras áreas.

Coordenou o programa Êxodo da Fundação que levou aos Estados Unidos mais de 10.000 cubanos que estavam em terceiros países.

-Luis Posada Carriles: Veterano da guerra do exílio contra o regime cubano. Participou do fracassado desembarque da Baía dos Porcos. O Governo Fidel Castro o acusa de ter planejado, financiado e dirigido uma campanha de bombas contra hotéis de Havana, em 1997, que mataram um turista italiano e deixaram grande prejuízo material.

Posada Carriles apareceu em Miami em 2005 e foi detido pelas autoridades norte-americanas que o acusaram de entrada ilegal no país.

Permanece sob custódia em um centro de detenção de Imigração em El Paso, Texas, esperando uma apelação sobre sua liberdade condicional.

-Orlando Bosch: militante anticastrista acusado de ser o autor intelectual da explosão do avião da Cubana de Aviación, pela qual passou 17 anos preso nos Estados Unidos e na Venezuela.

O ativista, pediatra de profissão, era um dos homens mais procurados pelo Governo da ilha. Mora no condado de Miami-Dade, após uma longa batalha legal com o Governo americano que incluiu, entre outras condições, o uso, por um tempo, de um dispositivo de localização.

-Ninoska Pérez: jornalista cubana que se tornou um dos rostos mais visíveis da FNCA. Jorge Mas Canosa lhe deu a responsabilidade de criar a Rádio Siboney, cujas transmissões tinham como público-alvo as tropas cubanas em Angola.

Em 1989, criou e digeriu a "Voz da Fundação", um programa destinado a divulgar os trabalhos da nascente oposição interna de Cuba, e, em 1992, tornou-se a porta-voz oficial da FNCA.

Abandonou a FNCA porque considerou que a organização não estava respeitando os acordos feitos nas reuniões de sua direção e estava traçando seus planos de acordo com a vontade de um pequeno número de pessoas.

Pérez e outros ex-diretores da FNCA criaram um novo grupo do exílio cubano, chamado o Conselho pela liberdade de Cuba (CLC).

-Luis Zuñiga: ex-membro da FNCA e do CLC. Participava como integrante da delegação nicaragüense perante a Comissão de Direitos Humanos da ONU em Genebra, onde denunciava a violação dos direitos humanos de Cuba. Trabalha atualmente na Rádio e TV Martí.

-José Basulto: Presidente da Irmãos ao Resgate, organização criada em 1991 para localizar "balseiros" no Estreito da Flórida, e socorrê-los.

Integrou a "Brigada 2506". Para isso, recebeu treinamento da CIA. Pede desde 1998 um julgamento contra Fidel Castro pela derrubada de dois aviões de caça Mig de sua organização, em 1996, em um incidente durante o qual quatro pilotos morreram.

Entrou com um processo nos EUA - e o ganhou - contra o Governo de Cuba pelos danos psicológicos sofridos depois que caças cubanos derrubaram os caças Mig.

Basulto defende uma luta não violenta para obter uma mudança democrática em Cuba e sua organização prestava apoio à dissidência interna da ilha.

-Ramón Raúl Sánchez: presidente do Movimento Democracia. Chegou aos EUA aos 15 anos e, aos 17 deixou, o ensino médio para se unir à organização Alpha 66, um grupo paramilitar que, nos anos 60 e 70, defendia que Fidel fosse derrubado com métodos violentos.

Sánchez liderou a organização Libertação de Cuba e a Comissão Nacional Cubana. Encabeçou ainda várias manifestações de protesto contra a política dos EUA para a ilha.

Com suas pequenas frotas no Movimento Democracia, o ativista organizava atividades perto das águas cubanas, algumas vezes, levou o Governo cubano a protestar contra as incursões, até que Washington decidiu apreender uma das embarcações do grupo.

-Eloy Gutiérrez Menoyo: ex-comandante revolucionário e líder do grupo do exílio moderado "Mudança Cubana", retornou à ilha após mais de 20 anos no exílio para pedir um espaço legal para a oposição interna.

Nasceu em 1934 em Madri, e, após morar vários anos no exílio na França, sua família foi para Cuba em 1948.

Uniu-se ao grupo de Fidel Castro que combatia o presidente Fulgencio Batista e chegou a ser comandante com a vitória da revolução, em 1959.

Em 1961, rompeu relações com Fidel, fugiu da ilha em uma balsa e integrou o grupo paramilitar Alpha 66, com sede em Miami. Em 1964 retornou a Cuba com três homens com a intenção de lançar uma operação armada, mas foi capturado.

As autoridades cubanas o condenaram à morte, sentença mais tarde trocada pela de 50 anos de prisão e, das quais cumpriu 22. Em 1986, obteve a liberdade após a mediação do então presidente do Governo espanhol, Felipe González, junto ao Governo da ilha.

-Huber Matos: Uniu-se à rebelião contra Batista, foi comandante do Exército rebelde liderado por Fidel Castro e, mais tarde, assumiu o cargo de governador militar de Camagüey, depois da vitória da revolução.

Integrou a Coluna 9 do Exército rebelde, foi um dos colaboradores mais próximos de Fidel na Sierra Maestra, mas quando começou a ter divergências ideológicas foi julgado e condenado a 20 anos de prisão por "traição".

Matos cumpriu integralmente a pena em várias cadeias de Cuba e, segundo disse, sofreu torturas físicas e psicológicas.

Ao terminar a sentença, foi entregue a uma comissão enviada pelo Governo da Costa Rica, e depois seguiu para Miami, onde foi presidente do grupo Cuba Independente e Democrática (CID).

-General-de-brigada Rafael del Pino: o militar de mais alta categoria a desertar do regime castrista. Fugiu de Cuba em 27 de maio de 1987 em um avião bimotor Cessna 402.

Participou da luta contra a ditadura de Fulgencio Batista e ocupou altos cargos na Força Aérea cubana.

De 1975 a 1977, foi chefe da Força Aérea do primeiro corpo expedicionário cubano na África, e ainda Segundo Chefe das Forças Aéreas de Cuba.

-Ileana Ros-Lehtinen: a primeira mulher hispana escolhida para o Congresso americano. Fugiu do regime de Fidel junto a sua família quando tinha sete anos. Defende, como legisladora, ações para uma transição democrática na ilha caribenha.

Teve um papel-chave na aprovação da chamada Helms-Burton, apresentada pelo senador Jesse Helms e o congressista Dan Burton para punir, entre outras, as companhias estrangeiras com investimentos em Cuba.

Ros-Lehtinen também é uma das vozes do exílio que denuncia internacionalmente o regime castrista por sua violação dos direitos humanos, entre outros aspectos.

-Lincoln Diaz-Balart: legislador republicano no Congresso dos Estados Unidos. Um dos mais acérrimos opositores a Fidel, redigiu, em 1996, grande parte da legislação que fortaleceu o embargo dos Estados Unidos contra o regime de Cuba.

O congressista foi o autor da codificação do embargo, requerendo que todos os presos políticos sejam libertados e eleições livres, realizadas em Cuba antes da suspensão das sanções dos Estados Unidos.

Diaz-Balart foi o autor da Lei de Ajuste Nicaragüense e Alívio Centro-Americano de 1997, que concedeu residência legal a centenas de milhares de imigrantes nos Estados Unidos.

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