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23/08/2006 - 23h59
Menina seqüestrada em 1998 reaparece na Áustria, aos 18 anos
Viena, 23 ago (EFE).- A Áustria se comoveu com a descoberta de
uma jovem de 18 anos, seqüestrada em circunstâncias misteriosas há
mais de oito anos e que havia sido fechada num porão por seu suposto
seqüestrador, que morreu na noite passada, esmagado por um trem.
A Polícia austríaca informou que espera os resultados definitivos
dos testes de DNA. Mas vários parentes da jovem confirmaram a sua
identidade. Eles garantem que é Natascha Kampusch, que em março de
1998, aos 10 anos de idade, estava a caminho da escola quando
desapareceu sem deixar vestígios.
Segundo o relato de uma companheira de escola e testemunha do
seqüestro, um desconhecido pôs a menina dentro de uma caminhonete e
fugiu.
Um porta-voz da Polícia disse esta noite à agência de notícias
"APA" que o suposto seqüestrador, um eletricista de 44 anos, se
jogou na frente de um trem ao norte de Viena, às 21h (16h de
Brasília) e morreu esmagado.
O caso da pequena Natascha era até hoje um dos maiores mistérios
do país, que tem índices de criminalidade muito baixos.
Mais de oito anos após seu desaparecimento, a jovem conseguiu
fugir esta manhã de seu cativeiro e apareceu no jardim de uma casa
na localidade de Strasshof, ao norte de Viena.
Em seu primeiro contato com as autoridades, a jovem só disse:
"sou Natascha Kampusch".
A menina, cujo desaparecimento foi muito comentado na imprensa
austríaca ao longo dos últimos oito anos, disse às autoridades que
havia permanecido fechada num porão.
A Polícia revistou a casa e encontrou um "cativeiro" de três
metros por quatro debaixo de uma garagem. O acesso era através de
uma abertura de 50 x 50 centímetros, protegida por um sofisticado
sistema eletrônico.
O pai da jovem, Ludwig Koch, disse à imprensa austríaca que
estava "aliviado" após anos de incerteza. A família da menina
prometeu uma declaração pública nos próximos dias.
Segundo um porta-voz da Polícia, a jovem padece de forte síndrome
de Estocolmo, ou seja, ela se identifica com os interesses do seu
seqüestrador.
Nas suas primeiras declarações, a jovem revelou que nem sempre
esteve presa. Nos últimos anos, o seqüestrador permitiu de vez em
quando que ela fosse com ele ao supermercado. Mas impedia sua fuga
com ameaças físicas.
Além disso, a imprensa informa que o homem cuidou da educação da
jovem. Em seu "cativeiro", havia uma pequena estante com livros,
além de rádio e televisão.
Durante anos a Polícia austríaca tentou encontrar a jovem,
inspecionando mais de 700 caminhonetes em todo o país em busca de
pistas. Mergulhadores procuraram o corpo em lagos próximos a Viena,
detetives investigaram sua trilha e até helicópteros com câmeras
especiais foram utilizados.
Como o desaparecimento de Natascha aconteceu dois anos depois de
explodir o escândalo Dutroux, na Bélgica, temia-se que a jovem
tivesse sido vítima de uma quadrilha internacional de pedófilos.
Em junho de 2003 a Polícia recebeu novas informações sobre o caso
e ordenou escavações na margem de um lago de Viena, mas sem
encontrar nada. UOL Busca - Veja o que já foi publicado com a(s) palavra(s)

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