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13/09/2006 - 05h13
Chávez oferece diesel barato para ônibus londrinos

Londres, 13 set (EFE).- O presidente venezuelano, Hugo Chávez, ofereceu a Londres diesel barato para seus ônibus em troca de cooperação técnica nas áreas de segurança urbana, turismo, transportes, habitação e eliminação de lixos.

Segundo informa hoje o jornal "The Guardian", Chávez chegou a um acordo com o prefeito de Londres, o esquerdista Ken Livingstone, durante a visita que fez à capital em maio.

O diesel venezuelano seria usado como combustível por parte da frota de 8 mil ônibus londrinos, especialmente nos serviços mais utilizados pelas camadas menos favorecidas, diz o jornal.

A capital britânica receberia uma quantidade não especificada de combustível. Os seus ônibus consomem anualmente 1,3 milhão de barris. Em troca, a Prefeitura se encarregaria de "promover a imagem da Venezuela" em Londres com publicidade nos próprios veículos.

Caracas poderia se beneficiar também da assessoria de técnicos londrinos em gestão de transportes, luta contra o crime, circuitos fechados de televisão, Polícia e outras práticas relacionadas à segurança.

Chávez tinha oferecido gasóleo para a calefação de casas de idosos e escolas das áreas mais pobres. Mas abandonou o plano porque envolveria muitas autoridades britânicas.

Os funcionários londrinos optaram pelo diesel para os ônibus. Os moradores das áreas mais pobres receberiam um cartão de identidade especial, que permitiria obter bilhetes mais baratos, como os dos estudantes e aposentados.

Segundo "The Guardian", funcionários do Governo venezuelano e de Londres têm feito reuniões para discutir os detalhes do acordo.

O prefeito de Londres confirmou as negociações na terça-feira.

"Temos pobres em Londres. Somos a cidade mais rica do país, mas infelizmente há pobreza infantil", comentou Livingstone.

"Os venezuelanos têm uma grande população vivendo em bairros pobres, e nós temos grande experiência em matéria de política de habitação e no funcionamento de uma cidade", acrescentou.

A oposição, porém, não está convencida. Angie Bray, líder dos conservadores londrinos chamou o acordo de "propaganda socialista".

"Ken Livingstone e o presidente da Venezuela deveriam estar envergonhados. Tenho certeza de que os venezuelanos, que lutam diariamente, ficarão horrorizados diante dessa oferta cínica de tirar deles de seu ativo mais valorizado para dar a uma das cidades mais ricas do mundo", atacou.

"Essa negociação nos reduz ao status de um país do Terceiro Mundo, com uma economia baseada na troca", reclamou Mike Truffey, líder do Partido Liberal-Democrata na capital britânica.

Segundo Truffey, os londrinos "deveriam buscar a sua autonomia do petróleo, e não tentar comprar a preços subsidiados pela Venezuela".

No ano passado, a Venezuela forneceu mais de 45 milhões de litros a preços 40% abaixo do mercado às pessoas com menos recursos de duas cidades americanas: Boston e Nova York. Ao mesmo tempo, por uma espécie de economia de troca, oferece a Cuba petróleo barato, enquanto médicos cubanos trabalham nas áreas mais pobres do país.

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