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18/09/2006 - 16h56
Heloísa Helena defende socialismo igualitário e mulher presidente
Rio de Janeiro, 18 set (EFE).- A senadora Heloísa Helena
(P-SOL/AL), candidata à Presidência pela coligação Frente de
Esquerda, defendeu hoje um socialismo que reduza as desigualdades e
medidas econômicas que promovam o crescimento do país, que - segundo
ela - já deveria ter tido uma mulher como presidente.
Em entrevista coletiva com correspondentes estrangeiros, Heloísa
explicou algumas das propostas econômicas e sociais que defende como
candidata à Presidência.
A senadora disse que luta para ficar em segundo lugar, apesar das
pesquisas indicarem a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da
Silva no primeiro turno, com 50% de intenções de voto, enquanto
Heloísa Helena alcançaria 9%.
O candidato Geraldo Alckmin, da coligação Por um Brasil Decente
(PSDB-PFL), conseguiria cerca de 27% dos votos segundo as pesquisas
e ficaria em segundo lugar, mas a senadora manifestou desconfiança
nas enquetes e espera que a decisão vá para o segundo turno, no qual
Heloísa busca ser a adversária de Lula.
"Se acredito até em Deus, que não pode ser tocado, nem localizado
geograficamente, imagine se não acredito na força do povo", disse,
ao falar sobre uma possível mobilização do eleitorado a seu favor.
Exaltada quando falava de política social e mais tranqüila, e até
brincalhona, quando perguntada sobre sua personalidade, Heloísa
aproveitou a entrevista coletiva para esclarecer sua posição sobre
temas variados, como o aborto - Heloísa defende o planejamento
familiar -, as relações internacionais e suas polêmicas propostas
econômicas.
A candidata rejeitou o socialismo totalitário que existiu na
Europa, e disse que o P-SOL não "é herdeiro dessa tradição", como
também não era o PT, do qual a senadora foi membro até ser expulsa,
no início de 2003.
Heloísa disse que o PT não é mais um partido de esquerda, e disse
que o P-SOL surgiu por uma "circunstância histórica".
A candidata disse que também rompeu com a história "muito, muito
feia" do capitalismo, e que, como "torceu" pela queda do muro de
Berlim, é contra o muro que está sendo construído na fronteira entre
os Estados Unidos e o México, que acaba com os sonhos de muitos
latino-americanos, incluindo os brasileiros.
Heloísa afirmou que sua luta é por uma verdadeira "democratização
do Estado brasileiro", que pressupõe a democratização da riqueza, do
espaço urbano, das políticas sociais e culturais.
No âmbito econômico, a candidata defendeu a queda "implacável"
das taxas de juros no país - que atualmente é uma das mais altas do
mundo - para promover o crescimento, sem que isso leve à fuga de
capitais, como afirmam seus críticos, ou ao aumento da inflação.
Segundo a candidata, o processo de nacionalização dos
hidrocarbonetos na Bolívia foi "legítimo". O problema foi que o
Governo brasileiro não cumpriu sua obrigação de defender os bens e
investimentos da Petrobras, no que considerou "uma demonstração de
incompetência".
Em política externa, Heloísa lembrou que a própria Constituição
dá prioridade às relações com a América Latina e exige o respeito à
autodeterminação dos povos.
Se for escolhida presidente, "todas as relações internacionais e
comerciais que foram importantes para o Brasil serão mantidas",
disse.
Sobre sua própria candidatura, Heloísa disse que o Brasil tem
muitas "mulheres maravilhosas e competentes", por isso o país "já
podia ter tido" uma mulher como presidente.
A senadora disse que, por isso, considerava "um absurdo" e "uma
aberração" que até agora não houvesse nenhuma mulher candidata à
Presidência. UOL Busca - Veja o que já foi publicado com a(s) palavra(s)

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