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18/09/2006 - 22h10
Venezuela e Irã ratificam aliança e luta contra opressão dos EUA

Caracas, 18 set (EFE).- O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, selaram hoje em Caracas a aliança de "dois povos com objetivos e posturas em comum", mediante ambiciosos acordos econômicos e a vontade de lutar contra o que chamaram de "opressão da hegemonia mundial".

Em entrevista coletiva conjunta ao final da visita de 30 horas do dirigente iraniano, ambos pediram uma reforma da ONU - em cujo Conselho de Segurança a Venezuela quer entrar como membro não-permanente - e pelo direito dos países a desenvolver energia nuclear com fins pacíficos.

Em seu discurso à imprensa, antes de sair de Caracas com destino a Nova York, Ahmadinejad disse que a Venezuela e seu país estão dispostos a "desenvolver relações em todas as áreas" e a serem "dois povos líderes da liberdade" diante das "opressões da hegemonia mundial".

Chávez defendeu o direito do Irã a desenvolver sua própria tecnologia nuclear com fins pacíficos, e advertiu que uma intervenção militar dos Estados Unidos no país seria "nefasta" para o mundo.

"Não queremos guerra, mas alertamos sobre as conseqüências nefastas que uma agressão ao Irã, já planejada pelos EUA, traria para o mundo", disse Chávez.

A entrevista coletiva conjunta, realizada com horas de atraso, pôs fim à visita de dois dias do dirigente iraniano à Venezuela, na qual foram assinados cerca de 30 acordos.

Ahmadinejad e Chávez definiram como "histórico" o ato de perfuração de um poço de petróleo na região da Faixa do Orinoco, cujas reservas, calculadas em 31 bilhões de barris, serão exploradas pelos dois países.

A Faixa do Orinoco contém a maior reserva de hidrocarbonetos do planeta, cuja exploração, com a tecnologia atual, pode chegar a cerca de 315 bilhões de barris.

"Há petróleo para mais de dois séculos, mas não para alimentar a voracidade capitalista, e sim para o desenvolvimento de nosso povo e dos povos irmãos", afirmou o governante venezuelano.

Ahmadinejad ressaltou as potencialidades energéticas da Venezuela e do Irã, membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), e afirmou que ambos os países demonstraram "que podem trabalhar e progredir fora da hegemonia americana".

"A aliança (de Caracas e Teerã) deu fim à mentira de que os povos necessitam estar subordinados às grandes potências para progredir", afirmou o dirigente iraniano.

A Venezuela desenvolve uma nova política energética na qual substitui pouco a pouco as multinacionais americanas por companhias da China, Rússia, Irã, Espanha, Brasil, Índia e Argentina, entre outros países.

A diversificação não atinge somente o setor da produção, mas também se dirige aos mercados. Existe uma clara vontade de potencializar os laços comerciais com países da América Latina e da Ásia.

Os presidentes destacaram que não se trata de uma aliança pontual, mas de uma tentativa de estabelecer centros de poder alternativos aos Estados Unidos, tachados por ambos de "imperialista".

"Irã e Venezuela estarão juntos até o final. É possível que alguns problemas surjam, mas a vontade revolucionária dos dois povos vencerá qualquer obstáculo", disse Ahmadinejad.

Após o ato que marcou o início da perfuração do poço, no estado de Anzoátegui, a 529 quilômetros ao sudeste de Caracas, os dois presidentes foram à fábrica conjunta de tratores que está sendo construída perto de Ciudad Bolívar, 750 quilômetros ao sudeste da capital venezuelana.

Os governantes visitaram a linha de produção e ratificaram que existe a vontade de aumentar a cooperação industrial e tecnológica entre ambas as nações.

Os presidentes fizeram breves discursos, e Ahmadinejad se permitiu brincar com a hipótese lançada na semana passada por um diplomata colombiano de que a fábrica de tratores ocultaria usinas de processamento de urânio.

"A energia atômica da Venezuela é a sua juventude", disse o presidente iraniano.

Ahmadinejad, que chegou a Caracas no domingo, procedente da Cúpula do Movimento dos Países Não-Alinhados, realizada em Havana, partiu rumo a Nova York para discursar na 61ª Assembléia Geral da ONU, que também contará com a presença de Chávez.

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