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30/09/2006 - 11h53
Japão inicia instalação de escudo antimísseis
Javier Villagarcía
Tóquio, 30 set (EFE).- As primeiras peças do sistema antimísseis
que o Japão espera montar no final deste ano chegaram hoje à ilha de
Okinawa, no extremo sul do arquipélago japonês, em meio à tensão
reinante pela ameaça nuclear norte-coreana.
A rapidez com que os EUA enviaram a primeira remessa de
componentes do escudo de defesa contra mísseis terra-ar é um sinal,
segundo os analistas, da preocupação que existe em Tóquio após os
recentes testes militares que a Coréia do Norte realizou.
Num teste, o regime comunista de Kim Jong-il lançou em 5 de julho
uma série de mísseis sobre as águas internacionais do Mar do Japão,
o que provocou uma onda de reprovação na comunidade internacional.
Um desses projéteis era um Taepodong-2, de longa distância e com
capacidade para alcançar a costa oeste americana.
O material para a construção do sistema interceptor de mísseis
Patriot Advanced Capability-3, que blindaria os céus do Japão contra
um possível ataque norte-coreano, chegou esta manhã a um porto
militar de Naha, a capital de Okinawa, em um cargueiro, segundo um
porta-voz militar americano.
Durante a operação de descarga, um grupo de manifestantes gritou
palavras de ordem contra a presença das Forças Armadas americanas no
país e a construção do sistema antimísseis.
A população de Okinawa suporta a pressão que representa a
presença de 44.950 soldados em solo japonês. Dois terços deste
destacamento se alojam neste pequeno arquipélago estrategicamente
situado no Mar Oriental da China, a poucos quilômetros de Taiwan.
O posicionamento deste dispositivo de defesa implica também a
chegada de outros 600 soldados, que viajarão com cerca de 900
familiares, o que contribuiu para irritar ainda mais os ilhéus que
se sentem deixados de lado por seu Governo na tomada de decisões.
As forças militares encarregadas do desembarque dos componentes
esperam poder transportá-los em caminhões pela estrada 58, até a
base militar de Kadena, onde serão montados.
Espera-se que o resto do material continue chegando durante as
próximas semanas, com o objetivo de que o sistema PAC-3 possa estar
parcialmente operando no fim de dezembro, e de maneira completa, em
março do ano que vem.
Esta será a primeira vez que os EUA posicionarão no Japão mísseis
terra-ar destinados a defender o país e as forças americanas ali
destacadas.
O projeto nasceu em 1998, depois que Coréia do Norte lançou um
míssil de longo alcance que sobrevoou o território japonês e caiu em
águas do Pacífico.
Os mísseis do sistema PAC-3 são projetados para interceptar no ar
outros projéteis na última fase de sua trajetória, quando já
retornaram à atmosfera e desceram a altitudes de aproximadamente 12
quilômetros.
O PAC-3 complementará o Standard Missile-3 (SM-3), que seria
instalado em 2008 em navios americanos e japoneses dotados de um
sistema de perseguição e captação Aegis, com a missão de interceptar
mísseis ainda fora da atmosfera.
Os testes norte-coreanos com mísseis feitos em julho passado,
somados aos rumores de que Pyongyang poderia estar preparando um
teste nuclear subterrâneo, em meio à estagnação desde novembro das
negociações sobre o desmantelamento do programa de armas nucleares
da Coréia do Norte, colocaram o Japão em alerta.
O recém-eleito primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, deixou
claro esta semana que uma de suas prioridades é a reforma da
Constituição para que o país possa contar com um Exército
convencional e, assim, reforçar sua aliança de segurança com os EUA.
No mês passado, a Agência de Defesa japonesa (que tem status de
ministério) afirmou que planeja pedir um aumento de 1,5% de seu
Orçamento para 2007, apesar da proposta do Governo de cortar
despesas em todos os ministérios para combater o grande déficit
fiscal do país.
Segundo o jornal "Nihon Keizai", dos 4,86 trilhões de ienes (US$
40,840 bilhões) que a Agência de Defesa estuda solicitar, 219
milhões (US$ 1,8 milhão) serão para o escudo antimísseis, o que
representa um aumento de 50% nestes recursos em relação ao orçamento
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