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21/11/2006 - 11h18
Índia e China pretendem duplicar comércio bilateral até 2010
Nova Délhi, 21 nov (EFE).- A Índia e a China, os dois gigantes
asiáticos, deram hoje um novo passo no processo de reatamento das
relações bilaterais ao afirmarem que são "parceiros", e não rivais,
e anunciarem que duplicarão suas trocas comerciais até 2010.
O presidente da China, Hu Jintao, se reuniu hoje com o
primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, na primeira visita de um
chefe de Estado chinês ao país vizinho nos últimos dez anos, período
no qual as relações entre os dois países esfriaram.
Ao término do encontro, Singh e Hu, cujos países abrigam cerca de
um terço da população mundial, emitiram uma declaração conjunta na
qual afirmam que as duas potências emergentes "não são rivais", mas
"parceiras para um benefício mútuo".
"Há espaço suficiente para que nos desenvolvamos juntos,
respeitando a sensibilidade do outro, como bons vizinhos e
parceiros", disse Singh à imprensa em Hyderabad House, sua
residência em Nova Délhi.
Os dois dirigentes decidiram dar "urgente e particular atenção"
ao comércio bilateral para que as trocas comerciais aumentem dos
atuais US$ 20 bilhões ao ano para cerca de US$ 40 bilhões em 2010,
disse Singh.
Também fecharam um acordo para "fomentar e proteger" os
investimentos entre os dois países, além de uma série de pontos para
reforçar os laços institucionais, educativos e de defesa, assim como
para "promover a cooperação em energia nuclear de uso civil",
acrescentou o primeiro-ministro da Índia.
Hu, por sua vez, destacou que a China e a Índia são "amigos e
parceiros" que devem "expandir e aprofundar sua cooperação
econômica, comercial e financeira", entre outros pontos.
Por outro lado, os dois governantes lembraram suas "diferenças"
por litígios fronteiriços, entre eles a disputa pela região nordeste
da Índia e pela parte chinesa da Caxemira, conhecida como Aksai
Chin.
"Decidimos intensificar os trabalhos para chegar a um acordo",
afirmou Hu, que mostrou sua esperança de encontrar "um marco de
trabalho razoável e mutuamente aceitável" para que os dois países
cheguem a um consenso.
"Enquanto isso, continuarão os esforços para manter a paz e a
tranqüilidade nas áreas fronteiriças", acrescentou o presidente da
China à imprensa, em um comparecimento no qual os jornalistas não
puderam fazer perguntas.
Paralelamente à reunião em Hyderabad House, no exterior do
edifício foram detidos dez jovens ativistas tibetanos que
protestavam contra Hu e o Governo chinês com bandeiras do Tibet.
Desde a ocupação chinesa do Tibet, a Índia acolhe os tibetanos
exilados na localidade indiana de Dharamsala desde 1959, sob o
comando do Dalai Lama.
O Secretário de Informação do Congresso Tibetano da Juventude,
Dhondup Dorgee, disse à Efe que outros quatro manifestantes foram
detidos na segunda-feira à noite, quando protestavam depois da
chegada de Hu ao aeroporto de Nova Délhi.
"O que queremos é denunciar a ocupação ilegal do Tibet, invadido
pela China em 1949, e os crimes do Governo de Pequim", disse Dorgee,
que considerou Hu Jintao "responsável" por esta situação.
Dorgee também expressou sua gratidão à Índia por receber o
Governo tibetano no exílio, mas, considerando que Nova Délhi deve
tratar a questão com a China, pediu ao país que "faça algo de uma
vez".
A viagem à Índia de Hu Jintao, que também deve se reunir com o
chefe de Estado indiano, Abdul Kalam, se prolongará até o dia 23,
com uma agenda que inclui uma visita ao Taj Mahal e a Mumbai para
participar de uma conferência empresarial.
Após a Índia, Hu deve viajar ao Paquistão. UOL Busca - Veja o que já foi publicado com a(s) palavra(s)

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