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30/12/2006 - 12h13
Governo espanhol atribui atentado ao ETA e considera terminado o cessar-fogo

Madri, 30 dez (EFE).- O Governo espanhol atribuiu ao ETA o atentado cometido hoje no aeroporto de Madri, onde a explosão de uma caminhonete feriu pelo menos 20 pessoas, e considerou terminado o cessar-fogo que o grupo terrorista anunciou em março.

"É a ETA e a ETA, ninguém mais", disse o ministro do Interior, Alfredo Pérez Rubalcaba, em entrevista coletiva, na qual acrescentou que o país está "diante uma situação distinta" após este atentado, o primeiro desde que o grupo separatista basco declarou um cessar-fogo permanente em 22 de março.

Segundo o ministro do Interior, o ataque "interrompe nove meses sem ações violentas por parte do ETA".

"É um atentado que rompe o cessar-fogo permanente que o ETA decretou há quase nove meses", declarou o alto funcionário.

Após ser comunicado sobre o atentado, o chefe do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, decidiu suspender suas férias natalinas no sul da Espanha e retornar a Madri para acompanhar a evolução da situação provocada pelo atentado no aeroporto de Barajas.

Esta tarde, Zapatero se reunirá com os meios de comunicação para oferecer uma primeira avaliação do ocorrido, anunciou o ministro do Interior.

O chefe do Governo foi informado imediatamente da explosão, ocorrida às 6h de Brasília num dos estacionamentos do terminal 4 do aeroporto, pouco depois que um porta-voz da ETA anunciou a colocação da caminhonete carregada com explosivos.

Zapatero entrou em contato com o líder conservador espanhol, Mariano Rajoy, que exigiu que o Executivo "suspenda qualquer contato com a organização terrorista ETA e qualquer negociação com os etarras, e retorne à firmeza do Estado de direito".

O presidente do Partido Popular (PP) disse em entrevista coletiva em Pontevedra (Galícia) que o Governo socialista tem agora a obrigação de "dar segurança aos espanhóis" e tranqüilidade à sociedade.

Seu partido, acrescentou, reafirma "as convicções e posições que veio mantendo ao longo dos últimos meses", ou seja, a total recusa a negociar com o ETA enquanto o grupo terrorista não entregar as armas.

O ministro do Interior, Alfredo Pérez Rubalcaba, também informou na entrevista coletiva que "há uma pessoa desaparecida" desde a explosão da caminhonete e que as forças de segurança do Estado estão tentando localizá-la.

Pérez Rubalcaba expressou sua surpresa com o atentado, que considerou "grave e forte", e disse que "ninguém poderia imaginar" que o ataque aconteceria, porque, em ocasiões anteriores em que o ETA rompeu tréguas, o fez após divulgar um comunicado.

"Não estamos diante de um processo racional ou pessoas racionais", disse o ministro, que pediu ao líder do Batasuna (braço político do ETA, na ilegalidade), Arnaldo Otegi, que também falará esta tarde à imprensa, que aproveite a oportunidade para condenar a ação terrorista.

O Batasuna nunca condenou um atentado do ETA, organização terrorista que assassinou mais de 850 pessoas desde 1968 em sua luta por um Estado basco independente.

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