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27/02/2007 - 16h06
Nablus começa a voltar à normalidade; milicianos prometem continuar lutando
Elías L. Benarroch
Nablus, 27 fev (EFE).- A vida na cidade de Nablus voltava ao
normal hoje com a retirada de soldados e veículos da operação
israelense "Inverno Quente", a despeito da promessa dos líderes das
Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa de que seus homens continuarão
combatendo até conseguirem libertar as terras palestinas.
Na Cidade Antiga - ou "Kasbah" -, onde vivem 50.000 dos 180.000
habitantes de Nablus, havia uma intensa circulação de pessoas, que
iam comprar mantimentos, após dois dias de toque de recolher, ou
visitar a família de Anan Tibi, a única vítima fatal da operação.
Uma versão do Exército israelense dá conta de que Tibi, de 51
anos, morreu enquanto soldados forçavam a porta para entrar em sua
casa. Outra diz que os militares foram até a residência do homem
capturar dois milicianos que estavam no telhado e contra os quais os
soldados tinham atirado.
A família assegura que na casa "não há miliciano algum" e que,
quando os soldados entraram, Anan já estava morto e seu filho,
Ashraf, de 23 anos, encontrava-se gravemente ferido.
"Ashraf estava no terraço mexendo no registro da caixa d'água e,
como não conseguia movimentá-lo, chamou seu pai para que o
ajudasse", contou Amani, cunhada da vítima, à Efe.
Em um certo momento, Ashraf deu um grito de dor ao ser atingido
no braço. Seu pai, tentando ver de onde vinham os disparos, acabou
entrando na mira de um franco-atirador.
"A bala atravessou a garganta dele", disse Amani, acrescentando
que seu sobrinho está internado com o cotovelo destruído por uma
bala explosiva e aguardando transferência para um hospital de Israel
ou da Jordânia.
Hoje, uma bandeira palestina e outras duas maiores das Brigadas
dos Mártires de Al-Aqsa (filiadas ao Fatah) e da milícia do Hamas
estavam estendidas na entrada da casa de Tibi.
Dentro da residência, dezenas de mulheres consolavam em silêncio
a família, enquanto a metros dali, os homens se reuniam entre outra
casa.
Segundo Amani, os disparos foram feitos por soldados posicionados
no telhado do colégio Gamal Abdel Nasser, situado em uma colina em
frente à casa de Tibi e para onde, durante os dois dias que durou a
operação, o Exército israelense levou centenas de palestinos para
interrogatório.
A operação "Inverno Quente" começou oficialmente na sexta-feira
passada. Mas só no domingo as forças israelenses entraram no centro
antigo da cidade e impuseram um toque de recolher na região, com o
intuito de buscar mais confortavelmente cerca de oito chefes das
Brigadas dos Mátires de Al-Aqsa.
O Exército israelense acusa esses líderes de fabricar armas e
explosivos. Além disso, assegura que, segundo informações
levantadas, 117 jovens palestinos saíram de Nablus no ano passado
com a intenção de atacar cidades de Israel.
As Brigadas de Al-Aqsa são a milícia dominante em Nablus,
sobretudo na Cidade Antiga, onde hoje seus homens, cobertos com
capuzes negros, vigiavam atentamente as estreitas ruas na busca de
qualquer suspeito que pudesse ser um agente israelense.
"Os soldados se foram, mas nunca se sabe", disse Mustafá, membro
da milícia que, após ziguezaguear por várias ruelas, conduziu vários
jornalistas até o chefe das Brigadas na cidade, apelidado de
"Kadafi".
Em uma breve conversa, enquanto queimava folhas de papel escritas
em árabe e verificava continuamente a entrada do local em que
estava, "Kadafi" declarou: "Se os israelenses voltarem, meus homens
lutarão contra os soldados".
"Não somos terroristas, queremos segurança para os palestinos.
Nós vivemos aqui, são eles que vêm até nossas casas", disse.
"Kadafi", que costuma dormir em lugares diferentes com medo de
ser assassinado, era um dos homens que o Exército israelense
procurava durante a operação, embora não tenha conseguido
encontrá-lo.
Hoje, como um guia turístico, Mustafá mostrava aos jornalistas o
estrago de uma bomba que os soldados detonaram no pequeno local que
seu chefe costumava usar para dormir, no fim de um estreito e escuro
passadiço.
"Kadafi", de 35 anos, não é um grande comunicador. Após breves
declarações, ele abre espaço para que seu lugar-tenente, Omar, de 20
anos e recém-casado, fale por ele.
"Esta é a terra dos palestinos. Queremos viver em paz. Queremos
viver. Nós e nossas famílias. Mas Israel quer matar a todos nós",
disse.
Perguntados sobre a fabricação de bombas, Mustafá e Omar
reconhecem que "têm algo", mas que "são pequenas bombas, não como as
que os israelenses têm": "Eles têm tanques e aviões".
No entanto, os dois asseguram que "se os israelenses retornarem a
Nablus, todos sairão às ruas para lutar", já que, dizem, suas vidas
estão sendo destruídas. UOL Busca - Veja o que já foi publicado com a(s) palavra(s)

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