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03/03/2007 - 04h40
Festival do Charuto é encerrado pela primeira vez sem Fidel Castro

Mar Marín Havana, 3 mar (EFE).- O tradicional leilão que encerrou a nona edição do Festival do Charuto, em Havana, será lembrado como o primeiro em que as caixas umidoras foram vendidas sem a presença do presidente cubano, Fidel Castro, convalescente há sete meses de uma doença declarada "segredo de Estado".

A assinatura de Castro tinha se tornado um selo dos lotes leiloados no jantar de gala do Festival do Charuto desde a sua criação.

"Os lotes costumavam ser assinados por Fidel Castro, mas como todos sabem o presidente não está muito bem", afirmou, numa breve explicação oficial, o juiz do leilão.

Castro, de 80 anos, se viu obrigado a delegar o poder a seu irmão mais novo, Raúl, ministro das Forças Armadas, em 31 de julho de 2006. Ele se submeteu a uma operação por causa de uma hemorragia intestinal devido a uma doença mantida em absoluto segredo.

A possibilidade de que, ainda convalescente, Castro tivesse assinado as caixas umidoras era a grande expectativa do Festival.

Este ano o evento não teve o brilho nem o glamour de edições anteriores, sem qualquer astro convidado.

Mesmo sem a assinatura do governante, os cinco lotes leiloados, elaborados com madeiras de lei, atingiram um valor de ? 533 mil (US$ 625 mil). O total manteve o nível dos anos anteriores, e será destinado a financiar o sistema de saúde cubano.

O leilão fechou a semana da festa do charuto em Cuba, que reuniu cerca de mil empresários, especialistas, distribuidores, produtores e amantes do tabaco de 50 países. O evento é organizado pela Corporação Habanos S.A., uma associação entre a hispano-francesa Altadis e o grupo estatal cubano Cubatabaco.

No jantar de encerramento, com a presença de filhos de Fidel Castro, não faltaram comentários sobre as restrições impostas a fumantes em vários países.

Mas o grupo Habanos se defende, por enquanto, da guerra contra o fumaça. A empresa aumentou suas vendas em 8% em 2006 e confia em manter a tendência este ano. A prioridade é para a América Latina, a Europa do leste e a região da Ásia-Pacífico, segundo fontes da companhia.

No entanto, as mesmas fontes reconheceram que a campanha contra o fumo tem prejudicado sua atuação. Na Espanha, um dos mercados mais importantes para o grupo, houve queda de 10% nas vendas em 2006.

O Festival serviu de palco para a apresentação da nova linha de charutos Cohíba, "Maduro 5", feitos com folhas envelhecidas durante cinco anos e uma camada de coloração mais escura apresentada com três cintas.

Os fumantes lembraram o décimo aniversário da marca Vegas Robaina, batizada em homenagem ao veterano tabaqueiro cubano Alejandro Robaina. Aos 88 anos, ele é considerado um dos maiores especialistas do mundo.

Outro destaque foi a Reserva de Montecristo Número 4, apresentada em estojos de luxo com 20 unidades.

A Habanos é líder mundial no mercado de charutos Premium (feitos à mão). Com uma rede de distribuição exclusiva em 120 países, a empresa comercializa mais de 80 formatos, em 34 marcas.

A Montecristo é a principal marca da companhia, com 29% das vendas, seguido da Cohíba (20%) e Partagas (12,4%).

O tabaco é o terceiro produto mais exportado de Cuba, só superado pelo níquel e pela indústria biotecnológica. O cultivo, elaboração e comercialização do fumo emprega, direta ou indiretamente, mais de 250 mil cubanos.

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