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22/04/2007 - 21h03
Sarkozy e Royal disputarão segundo turno nas eleições presidenciais da França

Anne Leroux Paris, 22 abr (EFE).- O conservador Nicolas Sarkozy e a socialista Ségolène Royal disputarão a Presidência da França no dia 6 de maio, depois de terem vencido hoje o primeiro turno das eleições presidenciais do país, marcadas por um maciço comparecimento dos franceses às urnas.

Tão logo o resultado foi anunciado, os dois candidatos ao posto de Jacques Chirac no Palácio do Eliseu lançaram suas campanhas para o segundo turno. Enquanto Sarkozy exalta o "novo sonho francês" de uma "república fraternal", Royal defende uma "república reformada e não estrangulada", reformada "sem brutalidade".

Privados de um confronto entre a direita e a esquerda na eleição de 2002, devido à presença do ultradireitista Jean-Marie Le Pen no segundo turno desse pleito, os franceses optaram hoje pelos expoentes dessas duas grandes ideologias.

No entanto, também chamou a atenção o terceiro lugar obtido pelo centrista François Bayrou, que recebeu 18,4% dos votos.

Sarkozy, candidato e presidente da conservadora e governista União por um Movimento Popular (UMP), obteve mais de 30% dos votos e aproximadamente 5% a mais do que Royal, a maior percentagem obtida por um candidato da direita em mais de 25 anos.

Exultante, Sarkozy, de 52 anos, agradeceu "aos seus 11 milhões" de eleitores e fez um apelo a "todos os franceses de boa vontade", quaisquer que sejam suas "origens, crenças ou ideologias", para que "se unam" a ele e na construção de uma "república fraternal", que é seu "novo sonho francês".

Consciente do receio que desperta entre muitos franceses e de seu rótulo de "liberal", o ex-ministro do Interior disse aos "temerosos pelo futuro e aos mais vulneráveis" que quer "protegê-los" da "violência e da criminalidade", e também da "concorrência desleal, da fuga de empresas, da degradação de suas condições de trabalho e da exclusão".

Em Melle, seu reduto eleitoral, Royal, de 53 anos, estendeu a mão a todos os que compartilham sua idéia de que "não é só possível, como também é urgente deixar de lado um sistema que já não funciona".

"Nossa vitória é possível", defendeu a primeira mulher com chances reais de se eleger presidente e que, com 25,4% dos votos, superou o total de votos obtidos por Lionel Jospin em 1995.

Com sua votação expressiva, Royal também apagou a traumática humilhação sofrida pelo Partido Socialista quando, há cinco anos, o ultradireitista Jean-Marie Le Pen tirou Lionel Jospin da corrida eleitoral e passou para o segundo turno.

Le Pen, de 78 anos e que disputou sua quinta e provável última eleição presidencial, foi o grande derrotado, posto que só recebeu 11,05% dos votos.

Visivelmente decepcionado por não ter repetido o êxito de 2002, o líder da Frente Nacional profetizou que a "euforia" democrática de hoje "não durará muito".

Le Pen afirmou que se equivocou ao focar sua campanha na situação econômica do país e acrescentou que em 1º de maio anunciará se apoiará ou não um candidato no segundo turno das eleições.

Apesar de ter ficado de fora da disputa pela Presidência do país, o centrista François Bayrou, líder e candidato da União pela Democracia Francesa (UDF), aparentava contentamento.

Entre aplausos dos militantes, disse que quer pôr seus "sete milhões" de votos a serviço de "uma política nova" e de uma "idéia de mudança".

"Há, finalmente, um centro na França", "amplo, forte e independente, capaz de atuar e de falar além das fronteiras (políticas)", disse Bayrou, de 56 anos, que não disse quem apoiará no segundo turno.

O posicionamento dos eleitores de Bayrou, que atraiu os franceses com medo de Sarkozy e os decepcionados com Royal, será, assim, crucial para a definição das eleições..

Apesar de o quadro hoje ser favorável a Sarkozy, segundo os especialistas em pesquisas de intenção de voto, o candidato direitista precisa, para cumprir a ambição de sua vida, atrair para si, ao mesmo tempo, os votos de Bayrou e de Le Pen.

Uma pesquisa do instituto Ipsos-Dell divulgada esta noite indica que Sarkozy vencerá no segundo turno com 54% dos votos.

Para Royal, o desafio é unir em torno de si toda a esquerda - os cinco candidatos da esquerda radical e do Partido Verde obtiveram hoje cerca de 11% dos votos -, e cooptar o maior número possível de eleitores de Bayrou e dos que não simpatizam com Sarkozy.

Nenhum dos outros oito candidatos à Presidência atingiu 5% do apoio do eleitorados, embora Olivier Besancenot, da ultraesquerdista Liga Comunista Revolucionária, tenha chegado bem perto.

O primeiro turno também serviu para confirmar a derrota comunista, cuja candidata, Marie-George Buffet, não chegou a receber 2% dos votos, enquanto a ecologista Dominique Voynet ficou com somente 1,57% do apoio dos eleitores.

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