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23/04/2007 - 23h06
Justiça do Equador reabilita deputados cassados e agrava crise

Quito, 23 abr (EFE).- A decisão tomada hoje pelo Tribunal Constitucional (TC) do Equador de devolver os postos a 51 dos 57 deputados cassados em março passado pelo Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) agravou a crise jurídica e o conflito político no Congresso equatoriano.

O presidente do TC, Santiago Velásquez, anunciou hoje a decisão de restituir os cargos aos deputados. Ele considerou a destituição "absolutamente inconstitucional", já que o TSE "não é competente" para tirar o mandato dos legisladores.

Segundo Velásquez, o TC aceitou um recurso apresentado por apenas 51 dos 57 cassados. Assim, seis deles não continuarão afastados dos cargos.

Após conhecer a resolução, o presidente do Equador, Rafael Correa, afirmou que os 57 deputados "continuam cassados", apesar da decisão do TC.

Em declarações à imprensa na cidade de Machala, Correa se mostrou "estupefato" diante da decisão do TC de devolver suas cadeiras aos deputados. Eles foram cassados por "interferir" no processo da consulta popular sobre a convocação de uma Assembléia Constituinte promovida pelo próprio chefe do Estado.

O TC "tenta por todos os meios boicotar" a Assembléia, que é "expressão do mandato popular", disse o governante. Ele lembrou que a cidadania decidiu a questão por "7 a 1" a favor da Constituinte, aprovada na consulta popular com 81,72% dos votos.

O presidente do TSE, Jorge Acosta, considerou "inaplicável" a decisão de reabilitar os cassados. Ele considerou a medida ilegal, e anunciou ações penais contra os membros do TC.

"Ilegal é a qualificação mais suave que se pode dar à decisão do TC", disse Acosta. Ele afirmou que não se surpreendia com a decisão, pois tinha notícias de que o tribunal estava "montando um acordo" para devolver os cargos aos deputados depostos.

Acosta acrescentou que "a decisão não vai adiantar nada, pois em ocasiões anteriores o mesmo Tribunal Constitucional invalidou recursos" admitidos por juízes "sem competência", como é o caso na sua opinião.

Alfonso Harb, um dos legisladores cassados, afirmou que "num estado de direito é preciso respeitar a resolução do TC, mas se for uma ditadura, o Governo não aceitará".

Para Harb, a decisão do TC "é uma prova de fogo para o Executivo" de Correa, para que demonstre sua vontade democrática.

Alguns dos destituídos anunciaram que amanhã vão à sessão do Congresso, segundo Edison Chévez, que era vice-presidente da Câmara antes de ser cassado.

O presidente interino do Parlamento, Miguel Castro, afirmou que a Câmara esperará a comunicação oficial do TC antes de tomar uma decisão sobre a eventual restituição das cadeiras, hoje ocupadas por deputados suplentes.

Pouco após o anúncio da decisão, adotada com o voto de seis dos nove vogais do TC, um grupo de integrantes da Federação de Estudantes Universitários e do Movimento Popular Democrático entrou à força na sede do Tribunal, gritando palavras de ordem contra os deputados cassados.

Durante várias horas, dezenas de manifestantes ocuparam as instalações do TC e impediram a saída dos juízes e funcionários do órgão, que precisaram ser protegidos pela Polícia.

Quando Velásquez foi retirado do edifício, protegido por policiais, grupos de manifestantes atacaram o grupo. Eles agrediram o presidente do TC e os agentes, que se afastaram do local num ônibus.

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