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03/10/2007 - 17h57
Bush veta maior cobertura médica a crianças pobres e pode sofrer desgaste
Washington, 3 out (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, George
W. Bush, vetou hoje um projeto de lei que ampliava a cobertura
médica a crianças carentes, apesar das advertências de que a medida
possa vir a prejudicar seu partido nas eleições de 2008.
O veto, o quarto de Bush desde que chegou à Presidência, ocorreu
sem muito alarde ou publicidade, como já tinha antecipado ontem a
Casa Branca, que deseja evitar ao máximo que o Partido Democrata,
impulsor da iniciativa, tire vantagem política da desaprovação.
No entanto, o projeto de lei também conta com amplo apoio entre
os congressistas republicanos, o que deixou Bush em relativa
situação de isolamento, faltando pouco mais de um ano para o pleito
presidencial.
Em linhas gerais, a iniciativa tinha como objetivo favorecer
crianças carentes que não podem ter um plano de saúde privado e que
também não são tão pobres como para fazer parte do programa público
Medicaid.
A medida suporia a ampliação do custo do Programa para o Seguro
Saúde das Crianças (SCHIP, na sigla em inglês) de US$ 5 bilhões para
US$ 7 bilhões anuais, por um período de cinco anos.
Segundo os criadores da lei, com este programa aumentaria o
número de crianças beneficiadas pelo programa - de 6,6 milhões para
10 milhões -, e sofreria grande redução o número daquelas que não
possuem qualquer cobertura médica nos EUA, que é atualmente de nove
milhões.
Bush emitiu hoje uma declaração para explicar os argumentos de
seu veto, que ficaria cancelado se, em uma segunda rodada de
votações, o Senado e a Câmara de Representantes (Baixa) aprovarem a
iniciativa com apoio de dois terços de seus membros, proporção que
já está garantida no Senado.
"Vetei porque este projeto de lei levará o sistema de saúde do
país ao caminho errado", disse o presidente, que se referiu aos
prejuízos que a medida ocasionaria às seguradoras privadas.
"Sob esta lei, a cobertura das companhias de saúde privadas a
muitas crianças seria prejudicada pela cobertura pública. Se a lei
fosse implementada, uma em cada três crianças trocaria sua cobertura
particular pela pública", advertiu.
O presidente lamentou, além disso, que os incentivadores da lei
não tenham aclarado totalmente como seria financiado o custo extra
dos atendimentos clínicos, ao declarar que a nova regra provocaria
um encarecimento dos impostos para os trabalhadores.
A Casa Branca tratou de escapar nos últimos dias das críticas à
Administração Bush por se negar a ampliar a cobertura sanitária
infantil, quando destina centenas de bilhões de dólares ao conflito
no Iraque.
"Isso é como misturar laranjas e maçãs", disse a respeito a
porta-voz da Casa Branca, Dana Perino, que assegurou que "a primeira
e principal responsabilidade do presidente é fazer com que os
americanos estejam seguros, e isso inclui as crianças".
Em declarações à imprensa, Perino se queixou do fato de que os
democratas tramitaram um projeto de lei com pleno conhecimento de
que já "nascia morto", e expressou esperanças de que, agora que o
mesmo já foi vetado, a Casa Branca e os congressistas possam se
sentar para negociar.
Este veto é o quarto de Bush desde que chegou à Presidência há
sete anos. O republicano passou os primeiros cinco anos e meio de
seu Governo - com maioria no Congresso - sem exercer este poder uma
vez sequer.
Dois dos três vetos anteriores de Bush estavam relacionados com o
repasse de fundos para a pesquisa com células-tronco, e o terceiro
estava vinculado aos orçamentos do conflito no Iraque. UOL Busca - Veja o que já foi publicado com a(s) palavra(s)

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