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09/12/2007 - 17h56
Projeto de Constituição de Morales é aprovado sem parte da oposição
Oruro (Bolívia), 9 dez (EFE).- A aprovação detalhada do projeto
de nova Constituição liderado pelo presidente boliviano, Evo
Morales, que será submetido a referendo, terminou hoje após uma
sessão confusa de quase 17 horas ininterruptas e à revelia do
principal partido opositor.
O projeto foi aprovado por volta das 9h (11h de Brasília), artigo
por artigo, por mais de dois terços dos 164 membros da Assembléia
Constituinte, dos 255 escolhidos em 2006, de acordo com a presidente
do fórum, a indígena quíchua Silvia Lazarte.
A nova lei consagra e aumenta os direitos dos povos indígenas
bolivianos - Morales pertence à etnia aimara - e prevê a reeleição
presidencial por um período adicional, não de forma indefinida como
os governistas tinham proposto originalmente.
Com esta reforma, o presidente poderia governar até 2018, em dois
novos mandatos de cinco anos, caso vencesse as eleições que serão
convocadas após a entrada em vigor da futura Carta Magna.
Durante a aprovação, o artigo referente à definição de latifúndio
não obteve os votos necessários e, por enquanto, será o único sobre
o qual a população será consultada em um referendo anterior ao do
projeto constitucional.
Também houve problemas com dois outros artigos, que foram
reconsiderados uma vez finalizada a aprovação em detalhe, em meio ao
descontentamento dos constituintes da força opositora centrista
União Nacional.
A redação final do artigo 6 define Sucre como "capital oficial da
Bolívia" e não acolhe a proposta de tirar o Governo e o Parlamento
de La Paz, tema que manteve a Assembléia paralisada durante mais de
três meses e esteve a ponto de provocar seu fracasso.
Enquanto isso, o outro artigo reconsiderado, o 125, diz que serão
considerados "traidores da pátria" aqueles que promoverem ações de
desintegração territorial ou de qualquer forma atentarem contra a
unidade do país.
O novo texto constitucional tem 411 artigos, que foram lidos em
cinco blocos temáticos e depois votados quase sem debate pela
Assembléia estabelecida na cidade andina de Oruro.
O projeto já tinha sido aprovado em primeira instância em 24 de
novembro, em um colégio militar de Sucre, sede oficial do fórum, sem
representantes da oposição e em meio a distúrbios que deixaram três
mortos e 300 feridos.
Na convocação para a sessão realizada em Oruro se estabelecia a
aprovação artigo por artigo do texto e uma revisão do mesmo, cujo
procedimento não está detalhado no regulamento do fórum.
Juristas próximos à Constituinte disseram à Agência Efe que a
reconsideração de alguns artigos no final do debate pode ser
encarada como uma revisão.
Para outros, essa fase será completada na próxima semana por um
comitê de concordância integrado por alguns constituintes da
Assembléia, a direção e os chefes das diferentes forças políticas.
Morales expressou sua alegria pela aprovação em detalhe do
projeto de nova Constituição em declarações a jornalistas dadas na
entrada da residência presidencial, em La Paz, pouco antes de partir
para a Argentina para o ato de fundação do Banco do Sul e a posse de
Cristina Fernández.
Ele lembrou que a norma aprovada não é exclusiva de seu partido,
o Movimento Ao Socialismo (MAS), mas que representa todas as forças
políticas e os nove departamentos bolivianos.
A maioria dos constituintes do principal partido opositor, o
direitista Poder Democrático e Social (Podemos), no entanto, não
assistiu à sessão realizada em Oruro.
A oposição esteve representada pela União Nacional, cujos
constituintes denunciaram reiteradamente os "atropelos" à legalidade
cometidos na sessão.
Ao término desta, a presidente do fórum, Lazarte, e outros
participantes da Assembléia saíram às ruas de Oruro entre abraços e
felicitações.
Os camponeses, mineradores e grupos de jovens a favor de Morales
que resguardavam o lugar da reunião desde a meia-noite de sábado
marcharam até a praça principal da cidade para celebrar a aprovação
do projeto constitucional.

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