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18/12/2007 - 02h31
Latino-americanos agora buscam o "sonho americano" no Brasil

Fernando Muñoz
De Bogotá

As correntes migratórias transformaram alguns países latino-americanos, como o Brasil, em receptores de um crescente fluxo de estrangeiros, que até há alguns anos viam o futuro apenas na Europa e nos Estados Unidos.

A diáspora de latino-americanos mudou substancialmente. Hoje, Brasil, Chile, Argentina, México e Costa Rica são o destino de latino-americanos que buscam o "sonho americano" sem sair da região.

O Bolsa Família tem pouco impacto na saúde das crianças das famílias atendidas pelo programa, indica um estudo do Centro Internacional de Pobreza, instituição de pesquisa do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento).

Segundo os autores do estudo, o programa eleva a demanda por serviços de educação e saúde porque exige que os pais mantenham os filhos na escola, cumpram o calendário de vacinação infantil e, no caso de mulheres grávidas, façam exames pré-natal.

Por outro lado, essas necessidades nem sempre são atendidas porque, supõem os pesquisadores, nem todas as famílias têm acesso a uma boa estrutura de educação e saúde.
IMPACTO DO BOLSA FAMÍLIA NA SAÚDE INFANTIL
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Antecipando o Dia Internacional do Migrante, comemorado nesta terça-feira, o presidente mexicano, Felipe Calderón, liderou nesta segunda-feira um ato numa ponte da cidade de Tijuana, na fronteira com os EUA. Ele criticou o clima de animosidade contra os imigrantes, especialmente mexicanos.

"Erram aqueles que, por ignorância, má fé, interesse político ou
econômico, tentam apresentar os mexicanos como inimigos dos Estados
Unidos", disse Calderón.

Segundo dados de 2006 do Escritório do Censo dos EUA, o país acolhe 37,5 milhões de estrangeiros, 12,5% da população total. Cerca de 500 mil imigrantes ilegais mexicanos cruzam a cada ano a fronteira com os EUA, buscando melhores condições de vida.

Milhares de centro-americanos na mesma condição usam o México como ponte para entrar na maior economia do mundo. No entanto, muitos deles decidem ficar no país, onde se dedicam, da mesma forma que os mexicanos nos Estados Unidos, a trabalhos agrícolas temporários.

O Chile, que por seus bons indicadores econômicos se transformou em atrativo para habitantes de países vizinhos, é outro grande receptor de imigrantes. Cerca de 90 mil migrantes, principalmente peruanos, bolivianos e argentinos, se estabeleceram no país.

Em outubro, o Governo anunciou que os migrantes serão integrados ao sistema de proteção social. Além disso, uma anistia vai regularizar a situação de cerca de 20 mil que estão em situação ilegal.

Dos beneficiados pela legislação chilena, 51% são mulheres, muitas delas com altos níveis de estudo. Elas também formam a maior população de migrantes latino-americanos na Europa e EUA.

O Uruguai também adequou sua legislação à chegada de migrantes com um projeto de lei, já aprovado na Câmara dos Deputados, que protege os direitos dos estrangeiros no país.

A Argentina também recebe um constante fluxo de paraguaios, bolivianos, peruanos e uruguaios. Muitos deles solicitam a residência no plano Pátria Grande, que garante o status legal aos migrantes de países do Mercosul e associados. Entre os estrangeiros que mais pedem a residência na Argentina, os chineses ocupam o quinto lugar, com cerca de 10 mil pedidos anuais.

O fenômeno dos imigrantes chineses também se nota em outros países, como Colômbia, Panamá e México. Eles são freqüentemente usados por orientais como trampolim para entrar ilegalmente nos EUA.

No Brasil, o fenômeno da migração é de mão dupla. Enquanto cerca de 4 milhões de brasileiros vivem no exterior (300 mil só no Paraguai), cerca de 1,2 milhão de estrangeiros, em sua maioria bolivianos e paraguaios, vivem no país.

A maioria dos migrantes latino-americanos se movimenta por motivos econômicos. Mas em países como Colômbia, Venezuela e Cuba os conflitos políticos internos ditam o fluxo migratório. Os EUA são o principal destino.

A Colômbia, imersa num prolongado conflito armado entre guerrilheiros, paramilitares e narcotraficantes, tem cerca de 4 milhões de cidadãos vivendo no exterior.

Na República Dominicana vivem cerca de 1 milhão de haitianos, a maioria em situação ilegal. Ao mesmo tempo, milhares de dominicanos anualmente usam embarcações artesanais para chegar a Porto Rico.

A Costa Rica é o principal destino de migrantes entre os países centro-americanos, com cerca de 1 milhão de vizinhos em seu território, segundo dados de ONGs.

O Equador, além de receber milhares de colombianos deslocados pelo conflito armado, tem cerca de 3 milhões de seus equatorianos vivendo no exterior, principalmente nos Estados Unidos, Espanha, Bélgica e Itália.



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