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09/01/2008 - 02h35
Hillary dá a volta por cima, mais uma vez

Teresa Souza
Washington

Quem escreveu o epitáfio político de Hillary Clinton após a sua derrota em Iowa teve que admitir que ela continua viva e forte, desbancando, contra todas as previsões, os seus rivais democratas nas primárias de New Hampshire.

Essa capacidade para se recuperar nos momentos difíceis é um dos traços mais marcantes da personalidade da senadora por Nova York, acostumada a todo tipo de tempestade pessoal e política.

Nascida em 1947 em Chicago, Hillary cresceu numa família rígida, que não aceitava a fraqueza de caráter. A imprensa americana cita com freqüência um caso em que seu pai, Hugh Rodham, ao ver a filha chegar em casa com notas máximas no boletim, disse que o colégio devia ser muito fácil.

Sua mãe, Dorothy, também não era condescendente. Em outra ocasião, a jovem Hillary se queixou de que alguém estava brigando com ela na escola. A resposta foi de que na casa dos Rodham não havia lugar para os covardes.

A rígida educação, segundo os analistas, levou Hillary a desenvolver uma armadura, muito útil para absorver os golpes políticos que ela e seu marido tiveram que enfrentar. Mas isso dificultou também a sua conexão pessoal com os eleitores.

Sua personalidade racional, atípica, segundo alguns, para uma mulher, em mais de uma ocasião foi vista como um sinal de falta de clareza e, pior ainda, de falsidade.

As críticas podem explicar o momento emotivo da senadora na segunda-feira, em New Hampshire. Com os olhos cheios de lágrimas, ela explicou que os motivos para concorrer pela Casa Branca são muito pessoais e têm a ver com tudo que está em jogo no país.

A ex-primeira-dama se apresenta como a candidata com mais experiência nos corredores do poder, pronta para assumir o governo da maior potência mundial desde o primeiro dia.

Além disso, ela diz ser a democrata mais preparada para tornar realidade uma "mudança" necessária num país dividido após os dois
mandatos de George W. Bush.

A mistura de experiência e mudança não convenceu em Iowa, onde os
eleitores viram Hillary como uma representante do "status quo". A
impressão foi reforçada pela constante presença de seu marido, o
ex-presidente Bill Clinton, em sua campanha eleitoral.

Não falta quem diga que Clinton está devolvendo os favores que ela fez ao perdoar as suas famosas infidelidades. Na mente de muitos americanos ainda está gravada a imagem do casal cruzando os jardins da Casa Branca em 1998, depois da revelação de que o presidente tinha mantido um romance com Monica Lewinsky, uma estagiária da residência oficial.

Os Clinton saíram então de férias com sua filha, Chelsea, no meio. Hillary tinha toda a aparência de estar furiosa, mas mesmo assim permaneceu ao lado de seu marido.

Em 1992, quando Gennifer Flowers revelou que tinha tido um caso com Clinton, Hillary viveu outro momento inesquecível, aparecendo com o seu marido no programa de televisão "60 Minutes", da "CBS".

"Estou sentada aqui porque o amo", disse então.

O sacrifício valeu uma recompensa política: foi eleita para o Senado em 2001.

Os americanos decidirão nos próximos meses se vêem nela as qualidades necessárias para fazer dela a primeira mulher a chegar à Casa Branca.

Hillary é uma cristã metodista educada em alguns dos centros mais prestigiosos do país, como a Universidade de Yale. Casada desde outubro de 1975 com Bill Clinton, tem uma filha, Chelsea Victoria.

Ao completar 60 anos, em outubro, confessou ter pedido chegar à Casa Branca quando soprou as velas.

"Obviamente desejo e espero ganhar", afirmou, acrescentando que estava disposta a fazer "o possível" para que seu desejo se transforme em realidade.



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