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17/01/2008 - 16h59
Bissexualidade entre as mulheres não é "fase passageira", diz estudo de Utah
Washington, 17 jan (EFE) - A bissexualidade entre as mulheres não
é apenas uma fase transitória, segundo um estudo da Universidade de
Utah, que acompanhou 79 mulheres não heterossexuais durante dez
anos.
A pesquisa, dirigida por Lisa Diamond, da Universidade de Utah, e
publicada pela revista "Developmental Psychology", da Associação de
Psicologia dos Estados Unidos, descobriu que as mulheres bissexuais
continuam sentindo-se atraídas por ambos os sexos ao longo do tempo.
Diamond é autora do livro "Sexual Fluidity" que descreve a
prática de muitas mulheres que têm relações heterossexuais e
homossexuais de forma simultânea ou alternada.
Segundo ela, duas em cada três mulheres entrevistadas em seu
estudo tinham mudado sua preferência sexual pelo menos uma vez.
"Muito disto tem a ver com o fato de que até as mulheres com
orientação lésbica freqüentemente se sentem atraídas por homens",
explicou Diamond.
"Algumas mulheres dizem: 'não se pode chamar de lésbica alguém
que sai com um homem', apesar de essa ser a melhor descrição da
situação'. E por isso deixam de ser catalogadas totalmente",
acrescentou.
Uma das mulheres entrevistadas por Diamond, Sheila, primeiro se
identificou como bissexual, dois anos depois disse que se sentia
atraída por mulheres, mais tarde ficou noiva de um homem, e mais
adiante decidiu que queria ficar com mulheres.
"Nossas conclusões demonstram que a diferença entre lesbianismo e
bissexualidade é mais um assunto de grau que de substância", indicou
a autora do estudo.
A pesquisa das orientações sexuais teve "avanços significativos
nos últimos 20 anos, mas uma área continua muito mal investigada, a
bissexualidade", disse Diamond.
Em parte, o problema é a definição de bissexualidade, já que
muitos pesquisadores e leigos vêem essa opção como um padrão de
resposta erótica a ambos os sexos.
"Mas até este conceito amplo deixa muitas perguntas sem
resposta", ressaltou Diamond.
"Qualquer instância passageira de atração por uma pessoa do mesmo
sexo conta, ou os bissexuais devem experimentar atrações regulares,
fortes e sustentadas por pessoas dos dois sexos?", questiona.

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