|
|  |

23/01/2008 - 16h49
Estudo mostra que crimes contra profissionais de imprensa continuam impunes
Juan Antonio Sanz
Montevidéu, 23 jan (EFE).- Um estudo da Federação de Jornalistas
da América Latina e do Caribe (Fepalc, em espanhol) apresentado
nesta quarta-feira em Montevidéu mostra que 18 profissionais de
imprensa foram mortos na região em 2007, em crimes que permanecem
impunes.
Segundo a Fepalc, os mortos foram vítimas de máfias, de
traficantes de drogas e da deterioração social e política de seus
países.
O estudo oferece um panorama desolador em nações como Brasil -
onde dois profissionais foram mortos ano passado -, México, Haiti e
Guatemala.
Em entrevista à Agência Efe, o presidente da Fepalc e da
Associação da Imprensa Uruguaia (APU), Manuel Méndez, disse que a
pior situação é a do México, onde seis jornalistas foram
assassinados e outros três estão desaparecidos. Os responsáveis
pelos crimes permanecem impunes.
Não estão incluídos neste relatório, que é anual, os jornalistas
que morreram em acidentes ou cujas mortes não foram comprovadamente
fruto de algum tipo de represália.
Além dos seis jornalistas assassinados no México e dos dois
mortos no Brasil, outros morreram vítimas de crimes em Haiti (três),
Guatemala (dois) e Colômbia, El Salvador, Honduras, Paraguai e Peru
(um cada).
Segundo dados da Federação Internacional de Jornalistas (IFJ, na
sigla em inglês) divulgados no início deste mês, 171 profissionais
de imprensa morreram em todo o mundo no ano de 2007 por causa de seu
trabalho, cifra que, de acordo com o organismo, confirma "níveis
extremos de violência" contra este tipo de atividade.
O Iraque, com 65 mortes, voltou a ser o país mais perigoso para
os jornalistas trabalharem, seguido de Somália (oito), Paquistão
(sete), México (seis), Sri Lanka (seis) e Filipinas (cinco).
Para Manuel Méndez, os assassinatos de jornalistas na América
Latina são explicados pela "deterioração das próprias sociedades e
pelo caráter das investigações realizadas por estes jornalistas
sobre o narcotráfico, o crime organizado e as esferas de corrupção
de grupos de poder tanto econômico como político".
O presidente da Fepalc explicou os passos que estão sendo dados
por Governos e organismos internacionais para denunciar e amenizar
esta situação.
"A Fepalc e a IFJ, que conta com mais de 600 mil jornalistas em
120 países, já fizeram uma reivindicação perante o Conselho de
Segurança da ONU e houve uma resolução para que os jornalistas não
sejam tomados como alvos de guerra", disse.
Méndez também contou que a Fepalc foi recebida em 2007 pela Corte
Interamericana de Direitos Humanos. Na ocasião, estas questões foram
expostas e houve o compromisso de fazer um acompanhamento da
situação, especialmente nos países onde existem as maiores violações
aos direitos dos jornalistas.
Durante a apresentação do relatório, Méndez ressaltou que o pior
de tudo é que, "na maioria dos casos, os assassinatos ficam impunes
e que os autores materiais e intelectuais dos crimes continuam
livres e sem sofrerem nenhum tipo de ação, nem dos Governos nem da
Justiça destes países".
O presidente da Fepalc relatou a situação vivida no México, onde
as instalações de alguns veículos de imprensa devem manter proteção
contra atentados e, em alguns estados mexicanos, profissionais
trabalham com coletes à prova de balas nas redações.
Manuel Méndez também disse que foi realizada uma campanha sobre a
impunidade no último congresso da Fepalc, no Peru, e que será pedido
no próximo comitê executivo da IFJ o envio de uma missão conjunta
das duas organizações ao México, para discutir o assunto com as
autoridades e comissões de direitos humanos do país.
Três funcionários do jornal "El Imparcial", do estado mexicano de
Oaxaca, foram mortos a tiros no mês de outubro em represália a uma
informação publicada sobre seqüestros e outros crimes realizados
pela facção de traficantes de drogas "Los Zetas".
Estes são apenas três dos 18 assassinatos; os outros 15
profissionais de imprensa na América Latina morreram em
circunstâncias similares, muitas vezes em meio ao silêncio das
autoridades.
Para o presidente da Fepalc, isto afeta "a qualidade de vida e a
qualidade democrática, a vigência dos direitos humanos e o
desenvolvimento cultural de um país. Não se pode falar de democracia
quando este tipo de coisa acontece". UOL Busca - Veja o que já foi publicado com a(s) palavra(s)

|  |
|