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13/02/2008 - 14h00
ONU intensifica combate ao tráfico de pessoas em Fórum de Viena
Viena, 13 fev (EFE).- A ONU intensifica sua luta contra o tráfico
de pessoas, crime "invisível" sobre o qual a organização tentará
conscientizar os participantes no Fórum Global contra o Tráfico de
Pessoas, aberto hoje em Viena, com a participação de mais de mil
especialistas e autoridades de todo o mundo.
A atriz britânica e ganhadora do Oscar Emma Thompson e o cantor
porto-riquenho Ricky Martin são as personalidades mais conhecidas a
comparecer ao Fórum de Viena, que termina na sexta-feira.
O anfitrião do evento, Antonio Maria Costa, vice-secretário-geral
da ONU, afirmou hoje aos delegados que "para poder lutar contra esse
monstro, devemos saber mais sobre ele".
"A falta de estatísticas e de qualquer outro tipo de informação
nos limita a olhar as pegadas de uma criatura, cuja forma e tamanho
ainda não se conhecem", reconheceu o diretor-executivo do Escritório
das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC, em inglês).
Estima-se que aproximadamente 2,5 milhões de pessoas são vítimas
do tráfico de seres humanos e de suas várias formas de exploração,
trabalho forçado ou prostituição, a cada ano.
Os especialistas calculam que os lucros gerados pelas redes
clandestinas ultrapassam US$ 31 bilhões por ano, sendo US$ 1,3
bilhão na América Latina.
Ricky Martin pediu que os países unam forças para combater esse
mal e também afirmou que "todos devem agir agora", para não permitir
que isso continue.
"Quero que todas as crianças do mundo possam ser crianças e não
vítimas de exploração", disse o cantor, cuja fundação privada
financia há vários anos a luta contra o tráfico de pessoas, que
afeta 250 mil pessoas na América Latina.
Enquanto Ricky Martin encorajou os delegados a agirem com mais
afinco no combate ao tráfico de seres humanos, Emma Thompson foi
aplaudida por seu relato sobre a exploração sexual de uma mulher da
Moldávia (país do Leste Europeu) no Reino Unido.
Thompson é responsável por uma grande exposição de mapas de uma
viagem de uma vítima do tráfico de pessoas chamada "The Journey" ("A
Viagem"), que poderá ser vista pelos próximos sete dias em uma praça
de Viena.
Em sete contêineres industriais, a experiência vivida por uma
dessas vítimas será contada desde seu início no país de origem até a
exploração sexual no país de destino.
Já a vice-ministra de Relações Exteriores de El Salvador,
Margarita Escobar, denunciou hoje o crescente mal do tráfico de
pessoas na América Latina e em outras regiões do mundo.
Escobar falou à Agência Efe sobre a necessidade de criminalizar
esse delito e adotar uma estratégia comum através de um esforço
interdisciplinar, tanto policial quanto jurídico, para combater o
tráfico de seres humanos.
A vice-ministra destacou que seu país se transformou em um país
de origem, de passagem e de destino do tráfico de pessoas,
principalmente mulheres, mas também de rapazes e crianças, em
operações realizadas por redes criminosas latino-americanas.
Steve Chalke, representante da "Stop the Traffik", uma associação
global de mais de mil organizações de 50 países que lutam contra o
tráfico de pessoas, destacou a responsabilidade da indústria
internacional de chocolate.
Na Costa do Marfim (país na costa ocidental da África), líder
mundial na produção de cacau, 12 mil escravos trazidos à força de
países vizinhos trabalham e recebem poucos centavos de dólar por
dia, afirmou Chalke.
"A verdade é que quando compramos chocolate, normalmente temos
sangue entre nossos dentes", declarou o britânico, que apresentou
hoje ao Fórum uma lista com 1,5 milhão de assinaturas de todo o
mundo de pessoas que reivindicam a intensificação da luta contra o
tráfico de pessoas.
O Fórum de Viena é organizado pela ONU e conta com a participação
da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Organização
Internacional para as Migrações (OIM), a Organização para a
Segurança e Cooperação da Europa (OSCE), além do UNODC. UOL Busca - Veja o que já foi publicado com a(s) palavra(s)

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