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17/02/2008 - 09h26
Independência do Kosovo pode causar novas tensões nos Bálcãs
Jordi Kuhs
Pristina (Sérvia), 17 fev (EFE).- A região dos Bálcãs, palco de
violentas guerras etno-nacionalistas na década passada, vive hoje
novamente momentos de tensão máxima, devido à convocação do
Parlamento do Kosovo para declarar unilateralmente a independência
da província sérvia.
Com a separação da Sérvia, surgem vários cenários possíveis
devido a esta declaração de independência, à qual Belgrado se opôs
veementemente.
A independência do Kosovo pode causar a divisão da própria
província, já que o norte, habitado em sua maioria por sérvios,
advertiu que não reconhecerá essa soberania e permanecerá leal às
instituições da Sérvia.
Nesse caso, alguns analistas não descartam atos violentos, já que
centenas de famílias albanesas também vivem nessa parte do Kosovo,
enquanto outros milhares de sérvios habitam vários enclaves no
centro e no sul da província.
O principal foco de atenção é, sem dúvida, a cidade dividida de
Mitrovica, no norte, onde as forças internacionais para o Kosovo
(KFOR, em inglês) reforçaram sua presença para evitar incidentes.
Estima-se que no Kosovo há cerca de 400 mil armas ilegais não
destruídas após a guerra de 1999, que poderiam ser usadas por
extremistas.
Segundo algumas pesquisas de opinião, muitos dos mais de 100 mil
sérvios do Kosovo afirmaram que querem abandonar a província em caso
de independência, o que poderia causar um êxodo de milhares de
pessoas, principalmente dos enclaves isolados do centro e do sul.
Também podem ocorrer tensões na Bósnia-Herzegovina, já que a
declaração de independência do Kosovo poderia servir como um
pretexto para os servo-bósnios reivindicarem mais autonomia, ou até
uma união com a Sérvia.
Alguns políticos servo-bósnios ameaçaram no passado convocar um
plebiscito sobre o futuro status da República Sérvia da Bósnia, um
dos dois entes autônomos que formam esse país (junto com a Federação
da Bósnia, muçulmano-croata).
Ao fim das fracassadas negociações entre Belgrado e Pristina, os
sérvios ligaram os dois assuntos, e destacaram que, se for concedida
a independência ao Kosovo, a comunidade internacional não pode
reduzir as competências aos sérvios na Bósnia outorgadas pelo acordo
de paz de Dayton, de 1995.
Cerca de 100 mil pessoas morreram na guerra civil bósnia (entre
1992 e 1995), a mais sangrenta dos Bálcãs.
Ao mesmo tempo, podem ocorrer tensões na Macedônia, onde 25% da
população é de etnia albanesa e vive em constante tensão com a
maioria deste Estado, também originado da fragmentação da
Iugoslávia.
Apesar do Acordo de Ohrid, assinado com mediação da União
Européia (UE) em 2001 após meses de confrontos entre uma guerrilha
albanesa separatista e as forças estatais, ainda existem temores de
atritos étnicos no país.
Nos últimos meses, ocorreram vários choques entre forças de
segurança macedônias e grupos mafiosos albano-kosovares, que
deixaram vários mortos.
Isso deixou claro que o pequeno país não é tão estável quanto a
UE gostaria. Além disso, as batidas policiais feitas na região
encontraram centenas de armas.
Por último, também são esperadas tensões na Sérvia, onde os
ultranacionalistas, agora na oposição, são a principal força
política e se opõem à aproximação da UE, defendida, no entanto, pelo
presidente reeleito Boris Tadic.
No sul do país, vivem cerca de 70 mil albaneses, que poderiam
reivindicar uma união ao Kosovo, ou até ser expulsos da Sérvia em
direção ao novo Estado albano-kosovar.
Na zona meridional de Presevo, Bujanovac e Medvedja, próxima ao
Kosovo, uma guerrilha separatista se rebelou em 2000 e 2001. Depois
a região foi palco de vários atentados cometidos por grupos rebeldes
que reivindicam a união de todos os territórios povoados por
albaneses.
A Sérvia poderia bloquear suas relações diplomáticas com os
países que reconhecerem a independência do Kosovo, principalmente os
Estados Unidos e os países da UE, como já antecipou o presidente
sérvio, Boris Tadic, na sexta-feira, ao tomar posse novamente no
cargo em Belgrado.

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