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19/02/2008 - 09h41
Carlos Lage, o terceiro homem mais importante da política de Cuba
José Luis Paniagua
Havana, 19 fev (EFE).- Com funções semelhantes às de um
primeiro-ministro, Carlos Lage Dávila, de 56 anos, lidou com alguns
dos maiores desafios de Cuba nos últimos anos, e é talvez a figura
mais importante da hierarquia após Fidel e Raúl Castro.
Como vice-presidente e secretário do Conselho de Estado e do
Conselho de Ministros e membro do Birô Político do Partido Comunista
de Cuba, Lage é desde os anos 90 um homem indispensável para
entender o rumo de Cuba e está na listas de candidatos a suceder
Fidel Castro, que hoje acaba de anunciar que não pretende continuar
no poder.
A nomeação de Lage entre os seis homens de confiança que, junto
com Raúl, dirigem o país desde que o líder cubano delegou suas
funções ao irmão mais novo, em julho de 2006, referendou a
importância do primeiro no Governo.
Fidel Castro deixou Lage à frente da "revolução energética" que
impulsionou desde o final de 2004.
O protagonismo de Lage nos últimos anos no panorama
internacional, quando várias vezes representou o líder cubano, fez
com que ele e o chanceler cubano, Felipe Pérez Roque, se
transformassem no rosto da revolução fora da ilha.
A figura do primeiro-ministro não existe no organograma
constitucional de Cuba, concebido com um desenho parecido ao de um
sistema parlamentar, mas Lage desempenha algumas funções semelhantes
às de um premiê.
Em 2006, menos de uma semana depois do anúncio do afastamento de
Fidel por motivos de saúde, Lage viajou à Bolívia para assistir à
formação da Assembléia Constituinte e, depois, à Colômbia para a
posse do presidente Álvaro Uribe.
Também foi um dos poucos que deu informações sobre o estado de
saúde do líder cubano após a operação.
Lage nasceu em Havana em 15 de outubro de 1951 e formou-se em
pediatria. Da universidade, foi para o cenário político, primeiro
como presidente da Federação Estudantil Universitária (FEU) e depois
como primeiro-secretário nacional da União de Jovens Comunistas
(UJC).
Exerceu a medicina poucos anos, que, no entanto, o levaram a
participar de uma missão na Etiópia, onde foi chefe do contingente
médico cubano e cumpriu o trabalho internacionalista
tradicionalmente desempenhado pelos comandantes da hierarquia da
ilha.
Lage entrou no Partido Comunista de Cuba em 1976 e, naquele mesmo
ano, então com 25 anos, foi eleito deputado na Assembléia Nacional
do Poder Popular, cargo que mantém até hoje.
Fez parte da equipe de Coordenação e Apoio ao Comandante e, no
congresso do partido em 1980, entrou no Comitê Central.
Seis anos depois, na reunião seguinte do principal órgão do
Partido Comunista de Cuba, foi nomeado membro suplente do birô
político.
Quando foi decretado, nos primeiros meses de 1990, o "período
especial", em conseqüência do desmoronamento do bloco soviético, o
partido colocou Lage à frente da comissão do sistema de direção e
planejamento da economia, e posteriormente foi incorporado ao
Conselho de Estado.
Foi o encarregado de mostrar no congresso do Partido Comunista de
Cuba em 1991 a realidade de uma economia que já passava por
dificuldades, e tinha pela frente um verdadeiro calvário.
No ano seguinte, foi nomeado secretário do Comitê Executivo do
Conselho de Ministros e, em 1993, vice-presidente do Conselho de
Estado.
O responsável visível das reformas econômicas de então, Lage e
Raúl Castro são considerados os autores de algumas das medidas de
abertura empreendidas pelo regime durante aqueles anos de asfixia
econômica.
Tornou-se comum a presença de Carlos Lage na Cúpula
Ibero-americana, ou nas reuniões da União Européia com a América
Latina e Caribe, além de nas cerimônias de posse de chefes de
Estado. UOL Busca - Veja o que já foi publicado com a(s) palavra(s)

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