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19/02/2008 - 14h48
Secretário de Estado do Vaticano visita Cuba após renúncia de Fidel
Havana, 19 fev (EFE).- O secretário de Estado vaticano, cardeal
Tarcisio Bertone, chegará nesta quarta-feira a Cuba, na primeira
visita oficial internacional após o anúncio da renúncia do líder
cubano Fidel Castro.
A visita, que terá duração de seis dias, foi anunciada meses
antes da medida tomada por Fidel e, segundo fontes da Igreja
Católica, será usada para tentar melhorar as relações entre Cuba e
Vaticano.
Bertone espera se reunir com o presidente interino de Cuba, Raúl
Castro, mas o encontro ainda não foi confirmado. O cardeal também
deve ter uma reunião com a Conferência de Bispos Católicos cubanos,
além de rezar uma missa na Catedral de Havana.
O arcebispo de Havana, cardeal Jaime Ortega, disse na semana
passada que a viagem significa reviver "um pouco a visita do Papa em
um sentido profundamente humano para todo o povo cubano" e lembrar a
comoção causa pela morte do ex-Pontífice.
Ortega comentou que a visita ocorrerá em um momento de "lenta,
mas progressiva melhoria" das relações entre Igreja e Estado, que
considera "boas, mas poderiam ser melhores".
No sábado, Bertone estará na cidade de Santa Clara, a 300
quilômetros ao leste de Havana, para rezar uma missa e abençoar o
primeiro monumento público em Cuba dedicado ao Papa João Paulo II,
doado pelo Vaticano.
A obra foi erguida no local onde o ex-Pontífice rezou a primeira
missa durante sua visita à ilha, em 1998.
Bertone viajará depois à cidade de Santiago de Cuba (leste) para
rezar um rosário na Basílica de Nossa Senhora da Caridade do Cobre,
patrona do país, e se encontrar com jovens.
Quando voltar à capital cubana, o secretário de Estado vaticano
participará de uma conferência na Universidade de Havana, além de
visitar a Escola Latino-Americana de Medicina e o Seminário de São
Carlos e Santo Ambrósio.
Essa é a terceira visita de Bertone a Cuba, onde esteve em 2001,
quando era secretário da Congregação para a Doutrina da Fé (antiga
Sagrada Congregação da Romana e Universal Inquisição), e em 2005,
como cardeal arcebispo de Gênova, ocasião em que se reuniu com Fidel
Castro.
Há uma semana, ao anunciar a visita oficial do cardeal à
imprensa, o ministro das Relações Exteriores cubano, Felipe Pérez
Roque, afirmou que o Governo de Cuba está disposto a discutir "todos
os temas" com Bertone, inclusive pontos nos quais podem existir
discordâncias.
"A existência de pontos de vista diferentes sobre alguns temas"
não pode ser "obstáculo para um diálogo e uma comunicação
respeitosa", afirmou Roque.
Na véspera da visita do cardeal Bertone, o Vaticano não comentou,
por enquanto, a renúncia de Fidel Castro.
Segundo a imprensa italiana, os órgãos de comunicação da Santa
Sé, como o jornal "L'Osservatore Romano", também não se pronunciarão
sobre o ocorrido e se limitarão a noticiar o fato.
As relações entre a Igreja Católica e Cuba tiveram altos e baixos
após a chegada ao poder de Fidel Castro, em 1959.
Cuba foi um Estado oficialmente "ateu" até 1992, quando essa
palavra foi eliminada da Constituição do país. UOL Busca - Veja o que já foi publicado com a(s) palavra(s)

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