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20/02/2008 - 16h06
Fidel deixou pistas de renúncia em suas "reflexões"
Antonio Martínez de Havana
Sempre na contramão dos acontecimentos, o líder cubano Fidel Castro deixou pistas sobre sua decisão de deixar o poder em seus artigos intitulados "reflexões", como fica patente agora após o anúncio ter sido feito.
Mas não é menos certo que outras passagens de suas freqüentes e quilométricas colunas davam a entender o contrário, como uma de agosto passado na qual relatava que era perguntado sobre quando voltaria ao poder e respondeu que lutaria sem descanso para se recuperar.
Muitos biógrafos independentes de Fidel destacam que tem uma personalidade decidida e voluntariosa, às vezes com sólidas idéias fixas, mas acrescentam que em outras ocasiões se mostra contraditório, caprichoso e volúvel, disposto a mudar de opinião subitamente e sem avisar.
Por isso, muitos cubanos, além de estrangeiros que residem em Cuba, analisam minuciosamente as colunas do comandante, em busca de chaves secretas, pistas de tesouros ideológicos, avisos para navegantes e previsões do futuro.
Abaixo estão as principais indicações dadas por Fidel em suas "reflexões" sobre sua saúde e suas possibilidades de reassumir o cargo que ocupou por 49 anos: - 28 de novembro 2006 - Fidel não assiste à inauguração de um ato organizado pela Fundação Guayasamín por ocasião de seu 80º aniversário e explica em mensagem que "não estava em condições, segundo os médicos, de enfrentar tão grandioso encontro".
- 30 de dezembro 2006.- O líder da revolução dirige uma mensagem de fim de ano aos cubanos na qual afirma que sua recuperação está "longe de ser uma batalha perdida".
- 1º de agosto de 2007.- Fidel reconhece que se sente acossado "com perguntas" sobre quando voltará ao poder e assegura que vai lutar sem descanso para se recuperar, acrescentando: "O próprio Raúl (Castro, seu irmão e presidente interino) se encarregou de responder que cada decisão importante, à medida em que me recuperava, era debatida comigo. O que farei?", questiona, e responde: "Lutar sem descanso, como fiz toda a vida".
Um diplomata europeu comentou então: "Parece a reflexão de um homem que não quer ficar relegado, com um tom retórico e pouco conteúdo".
- 18 de dezembro de 2007.- O programa "mesa-redonda" divulga uma nova carta de Fidel na qual indica que seu dever não é "agarrar-se a cargos", mas "fornecer experiências e idéias".
- 28 de dezembro de 2007: Fidel envia uma mensagem ao Parlamento na qual afirma que agora não é uma pessoa apegada ao poder, embora reconheça que tenha sido durante algum tempo.
- 15 de janeiro de 2008.- O líder cubano se reúne com Lula, que diz após o encontro que encontrou Fidel "com uma lucidez incrível", com uma saúde "impecável" e preparado para assumir seu "papel político" em Cuba.
- 16 de janeiro.- Fidel diz em um novo artigo que não tem a "capacidade física necessária" para falar em público e que faz o que pode: escrever. UOL Busca - Veja o que já foi publicado com a(s) palavra(s)

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