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20/02/2008 - 19h23
Cardeal do Vaticano pode ser o primeiro a visitar novo presidente de Cuba
Havana, 20 fev (EFE).- O cardeal Tarcisio Bertone, secretário de
Estado do Vaticano, pode ser o primeiro funcionário estrangeiro de
alto escalão a se reunir com o novo presidente de Cuba, que será
anunciado no próximo domingo e substituirá Fidel Castro.
Fidel anunciou ontem sua renúncia à Presidência da ilha e à
chefia das Forças Armadas de Cuba.
O secretário adjunto da Conferência de Bispos Católicos de Cuba
(COCC), o cônego José Félix Pérez, informou hoje à Agência Efe sobre
a visita do cardeal Bertone, que chega hoje por volta de 21h10 (hora
local) a Havana e permanecerá na ilha até à próxima terça-feira.
"Caso as especulações se confirmem, não há dúvida de que o
presidente será Raúl Castro. Acredito que seu primeiro encontro com
uma personalidade de nível internacional será com Bertone", disse
Pérez.
O secretário adjunto da Conferência Episcopal indicou que não
sabe quando o encontro acontecerá.
No próximo domingo será instalada a Assembléia Nacional do Poder
Popular, no qual os integrantes do novo Conselho de Estado
(Executivo) serão designados. O presidente deste órgão, cargo atual
de Fidel Castro, é chefe de Estado do país.
O anúncio da renúncia de Fidel à Presidência de Cuba, deixando o
poder após quase meio século, permitirá a designação de um novo
presidente, cuja identidade ainda não foi comunicada oficialmente,
embora o nome mais lembrado seja o de seu irmão caçula Raúl Castro,
ministro das Forças Armadas.
Pérez indicou que o anúncio do líder cubano "surpreende, embora
não seja totalmente inesperado", porque todos já conheciam "o estado
de saúde do presidente nos últimos tempos".
O cônego acrescentou que a Igreja, "por enquanto, não tem um
pronunciamento sobre a nova situação".
Sobre a viagem de Bertone, anunciada meses antes da renúncia de
Fidel e que acontece dez anos após a visita do papa João Paulo II à
ilha, Pérez indicou que "terá interesse em apoiar as aspirações da
Igreja cubana" diante das autoridades da ilha.
Pérez também destacou a importância de que a missa celebrada por
Bertone nesta sexta-feira na catedral de Havana seja transmitida
pela TV cubana.
Entre outros aspectos da agenda entre a Igreja e o Estado cubano
estão o acesso aos meios de comunicação, às prisões e às
instituições educativas, para cumprir seus serviços religiosos.
Outro tema que poderá ser abordado é o da construção de novas
igrejas, o que não acontece desde o triunfo da Revolução Cubana em
1959, e que, segundo Pérez, é necessária por causa das mudanças
demográficas ocorridas desde então.
Bertone deve se encontrar amanhã com a Conferência de Bispos
Católicos e celebrará uma missa na catedral de Havana.
Na sexta-feira, o cardeal chegará a Santa Clara, 300 quilômetros
ao leste de Havana, e deve realizar outras missas, além de abençoar
o primeiro monumento público em Cuba dedicado ao papa João Paulo II,
doado pelo Vaticano.
Esta é a terceira visita de Bertone a Cuba, onde esteve em 2001,
quando era secretário da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé,
e novamente em 2005, como cardeal arcebispo de Gênova, ocasião em
que se reuniu com Fidel.
Há uma semana, ao anunciar a nova viagem do cardeal, o ministro
das Relações Exteriores cubano, Felipe Pérez Roque, afirmou que seu
Governo está disposto a discutir "todos os temas" com o cardeal,
inclusive "pontos que podem ser divergentes".
As relações entre a Igreja Católica e Cuba ficaram estremecidas
após a chegada de Fidel ao poder em 1959.
Cuba foi um Estado oficialmente "ateu" até 1992. UOL Busca - Veja o que já foi publicado com a(s) palavra(s)

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