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04/03/2008 - 21h08
Equador pede reunião urgente de chanceleres para abordar crise diplomática

Washington, 4 mar (EFE).- A chanceler do Equador, María Isabel Salvador, pediu hoje ao Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) a convocação urgente de uma reunião de ministros das Relações Exteriores, que deveria ser realizada, o mais tardar, em 11 de março, para abordar a crise diplomática.

A ministra também solicitou aos 34 Estados-membros OEA que, com base na Carta Interamericana do organismo, "condenem" a violação ao território equatoriano cometida no sábado passado pelo Exército colombiano durante a operação contra um acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Além disso, María Isabel Salvador pediu para que a OEA designe "imediatamente" uma comissão de verificação para averiguar a operação, na qual morreu o porta-voz internacional das Farc, "Raúl Reyes", e outros guerrilheiros.

O embaixador da Colômbia junto à OEA, Camilo Ospina, pediu que a instituição crie uma comissão exploratória que ajude a buscar alternativas para superar a crise com o Equador.

Ospina assegurou que seu país apóia a convocação de uma reunião extraordinária de chanceleres proposta pelo Equador, "em prol de buscar uma solução à crise com o país irmão".

Em seu discurso, a chefe da diplomacia equatoriana qualificou a atuação da Colômbia de "ação deliberada" que atenta contra "a soberania, os acordos bilaterais e o direito internacional público".

María Isabel Salvador acusou o presidente colombiano, Álvaro Uribe, de "ter mentido ao Equador e a todo o mundo" quando alegou que a operação militar aconteceu em legítima defesa.

A Colômbia "não disse a verdade ao Equador nem ao mundo", afirmou a chanceler equatoriana, salientando que "não existiu uma agressão por parte de seu país para justificar a incursão colombiana".

Por sua parte, o embaixador da Colômbia reiterou o pedido de desculpas de seu país pelo incidente ocorrido no sábado.

A chanceler equatoriana já tinha antecipado que diante da "gravidade dos fatos" uma desculpa diplomática "não será suficiente".

Para o Equador, a operação militar de sábado passado foi uma "violação planejada e premeditada" pelas forças colombianas, que realizaram a missão com "plena consciência de que violavam a soberania e com o pretexto de eliminar um acampamento irregular das Farc".

A ministra ressaltou que o Equador não reconhece a suposta "prática de perseguição imediata" por via aérea e terrestre, e lembrou que a Colômbia rejeitou em várias ocasiões esta medida.

Além disso, considerou um "ato hostil e deliberado" a "tentativa da Colômbia de desviar a atenção do fato central" da crise ao vincular o Equador às Farc.

"O Equador rejeita a tentativa da Colômbia de evitar sua responsabilidade por ter transgredido as normas internacionais que regem os Estados", acrescentou.

No entanto, Ospina disse que informações indicam que o grupo rebelde era permanente e que existem "sérios indícios de que na atualidade subsistem bases" da guerrilha em território equatoriano.

Neste contexto, o embaixador colombiano junto à OEA assegurou ao Conselho Permanente que não há "a menor dúvida de que os Governos de Venezuela e Equador negociavam com terroristas narcotraficantes".

Ospina questionou a suspensão das relações diplomáticas com a Colômbia e a retirada de embaixadores por parte do Equador e da Venezuela, afirmando que espera "que mostrem similar coragem para expulsar os terroristas de seu território".

María Isabel Salvador afirmou que o Equador é consciente da problemática do conflito interno da Colômbia e lamentou os efeitos que tem na sociedade.

"O Equador condenou e condena as ações e os métodos utilizados pelas Farc, e o demonstramos com nosso desejo de ajudar na solução do conflito para alcançar a ansiada paz na Colômbia".

A chanceler lembrou que o Equador colaborou com a Colômbia no conflito e realizou um "enorme esforço econômico e humano", ao desdobrar unidades para assegurar a fronteira.



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